está tudo tão bom, que me dá medo, as vezes. medo do caos.
medo de sentir tudo de mau outra vez.
medo da bagunça da vida, mesmo.
tantas vezes acontecem coisas inexplicáveis.
outras tantas, a calmaria se prolifera.
no momento vivo uma calmaria caótica.

o que é isso?
medo do caos.

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desapego (de-sa-pe-go) s. m. falta de apego; desafeição, desamor; desinteresse.

está aí uma coisa difícil de se fazer.
das coisas materiais e imateriais.

o que é mais difícil: pessoas ou objetos?
abstrair de tudo. dificuldade.

viver pensando na morte.
quem vive, sofre.

mas, o sofrimento é involuntário.
não traz de volta.

praticar o desapego, evita o sofrimento.
ou não!

não sei o que dizer.

os dias passam
as pessoas passam
os sonhos passam

sonhar

vezes perda de tempo
outras tantas alento

desespero de se perder nestas nuvens escuras
tantas vezes desconhecidas

evaporar do mundo
fugir do ser
do ter

fazer

expandir-se de si
correr de mim
do meu mundo

voar

renascer.

me abrigo da luz para me esconder do dia,
do sol, do meu pavor.

pavor da vida, da morte, de mim mesma.
pavor de tudo.

amo a noite, o frio, o escuro.
não por ser mais fácil me esconder,
mas sim, porque neste momento,
consigo me ver por inteira.
viver sem medo.
sem desaparacer.

vejo o tempo.
sinto o vento.
vivo os sonhos.

“é bem mais difícil julgar a si mesmo que julgar os outros. se consegues fazer um bom julgamento de ti, és um verdadeiro sábio. o rei

“a gente só conhece bem as coisas que cativou. a raposa.

“os homens não têm tempo de conhecer coisa alguma. compram tudo já pronto nas lojas. mas, como não existem lojas de amigos, os homens não tem mais amigos. a raposa.

“só se vê bem com o coração. o essencial é invisível aos olhos. a raposa.

” tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas. a raposa.

“mas os olhos são cegos, é preciso ver com o coração. o príncipe

“e nenhuma pessoa grande jamais entenderá que isso possa ter tanta importância” afinal de contas “as pessoas grandes são muito esquisitas”.

pequenas partes de “o pequeno príncipe”.

o fim

                                          

                                                                                                                                                    o início.

há poucos dias terminei a leitura de um livro muito interessante, por sinal.
é daquele tipo de livro que nos surpreende pela intensidade.
numa de suas páginas finais está escrita a seguinte frase:
“qualquer lugar no universo é o centro do infinito”
esta frase me chamou a atenção.

pensar na imensidão que há em tudo que está fora de onde estamos.
fora da terra, ou fora do nosso mundo.
fora de nós mesmos, do nosso universo.

e quem (ou o que) está no centro de nosso infinito?
nossos sonhos, vontades, erros.
nós mesmos.
somos uma ilha infinita.
cheia de medos, (pre)conceitos.

somos angústia e dor.
e também felicidade.

a inconstância humana.
nosso privilégio.

fim de um dia.
início de outro.
é sempre assim.
o ciclo sem fim.
o infinito
para mim, a perfeição.

o frio recomeçou, tímido.
mas recomeçou.

as vezes sinto falta de sentir.
de me inspirar.

agora é noite. madrugada.
novo dia. velho.
hoje o ontem se repetirá e antecederá o amanhã.
que será igual ao que esperamos que hoje seja.

viver é a solução.
o problema é perder-se no infinito.