cada um tem o seu papel.
o meu não está mais em branco.
mas tem um grande espaço, que eu não sei como preencher.
a cada dia. a cada lembrança. a cada pensamento.
uma linha é escrita.
jamais apagada.
folhas em branco sempre vão existir.
é por isso que existem as palavras.
para que histórias sejam escritas.
e momentos sejam vividos.
e uma trufa de limão seja saboreada.
e uma fornada quentinha de pão de queijo seja devorada.
nada precisa fazer sentido para fazer parte de você.
muito menos o que for escrito em sua folha em branco.

há quanto tempo.
o tempo voa. muito rápido.
já se passaram 28 anos.
não sei se bem vividos, mas vividos, é o que importa.
não saberia expressar agora o que senti naquele oito de agosto.
uma semana atrás.
confesso que não fiquei feliz. um dia a mais é um dia a menos.
o tempo passa e acaba.
o ponto já foi, o pensamento se perdeu. o passado não volta.
a palavra não volta.
o negócio é olhar pra frente e seguir.
eu prefiro não olhar pra trás, isso me cansa.
relembrar me cansa. viver também.
mas prefiro viver cada dia de uma vez.
tem coisa que não se perde.
continuo chorando escondida.
continuo rindo atôa.
continuo me sentindo feliz por quase nada.
e infeliz por muito.
sinto que cresci. mas sinto também que falta um longo caminho a percorrer.
quando se passarem os próximos 28, o que terá acontecido?