desci os degraus. estava escuro.
fui devagar, tentando encontrar uma referência, mas não consegui.
continuei indo, sem olhar para traz, entrei num beco úmido.
não entendi bem o que ali havia.
ouvi uma música ao longe. tentei me guiar por ela. deu certo.
andei em direção ao som e encontrei várias pessoas, perdidas no tempo.
que fizeram parte de mim, mas que sumiram sem dar explicações.
não fazem falta, porém, fizeram o que sou hoje.
eu sou os outros, pedaços de julgamentos. a escada que desci era minha alma.
estou dentro de mim. olhando bem nos olhos dos meus segredos.
face a face comigo mesma, naqueles momentos em que me deixei levar por todo o resto.
agora me vejo em cacos. minha cabeça dói, assim como meu coração.
estava a beira de um colapso. foi quando, mais um vez, ouvi aquela velha canção e olhei nos olhos daquelas
velhas pessoas. lembrarei do que era, do que pensava que seria e do que me tornei.
o que faltava era a liberdade, aqui reconstituida.
consegui sair do beco escuro. subi as escadas e reecontrei tudo aquilo que eu desconhecia, ou que estava perdido, em algum lugar de minhas entranhas. 
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