depois de um tempo então, percebo que estou no topo da árvore, observando, do alto, todo aquele esplendor.
tudo era tão lindo. pessoas felizes passavam lá embaixo, sem ao menos perceber o que estava acontendo.
desci correndo e pedi abrigo. todos se esconderam, não saberei aqui, dizer o motivo. podem ser vários.
mas naquele momento, parte de mim havia ido embora. era nova.
pode ser que estivesse errada, mas não estava. a sensação já era outra.
o sorriso era diferente. o toque. o abraço. algo perdeu-se. tomara que se transforme.
diante do espelho, percebo pequenas rugas, pequenos recortes. tudo passou tão rápido e ao mesmo tempo
tão lentamente. preciso parar e analisar o trajeto. aconteceu muita coisa. perdi muito coisa. lamentei muitas coisas. o tempo é traiçoeiro. ele é o único que permanece.
de repente, volto ao topo da árvore e, continuo observando aquelas mesmas pessoas. com seus mesmos sorrisos e vestindo as mesmas roupas, indo aos mesmos lugares, falando as mesmas besteiras. parece que o tempo parou para todas elas. acomodaram-se no seu mundo.
quando as vi pela primeira vez, pensei que fossem diferentes. mas não, são todas iguais, com suas vidinhas.
mas todas estampam na face a falsa moralidade. a falsa alegria. que triste. viver de arranjo.
é impossível fugir disso. será? cada um saberá responder o que de verdade terá no sorriso estampado e no beijo roubado, lotado de falso amor.
continuarei aqui, no conforto do topo da árvore. me escondendo dos demais, e assistindo suas ínfimas vidas, do meu inócuo esconderijo: eu mesma.

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