viver na corda bamba, com medo de que alguém desate o nó, e você caia.
se equilibrar na própria sombra,  cair no centro do seu inconsciente.
no oco mundo desconhecido, das tramas cotidianas, dessa louca teia de tempo.
fragmentos de realidade. fragmentos de mim, presos do outro lado do espelho.
quando olhei, assustei-me.
me abaixei, não acreditei no que vi.
levante-me e olhei novamente. tudo igual.
todo aquele quiprocó no início foi atoa.
toda a conversa, jogada ao vento.
palavras desperdiçadas, perdidas em páginas amarelas.
que faltam, em páginas em branco. vidas em branco.
sentei-me e observei. o final ainda não chegou.
das flores colhidas no campo, poucas sobreviveram.
cada uma com sua beleza única, singular.
voam sozinhas no enlace do tempo, perdem-se nas águas de um rio claro.
se afundam em cada gota que desce a montanha, e se encontram no fim.
brigam entre si. as pétalas caem. se esvaem.
aquelas flores, antes pequenos botões rosados, foram colhidas e abandonadas muito jovens.
nunca aprenderam como era crescer. a se tornar bela e forte.
ao se cruzarem na natureza, se partiram. despedaçaram-se.
como uni-las novamente?
procuro respostas.