tudo chegando ao fim e recomeçando. aos poucos.
o frio na barriga só aumenta.
aquela sensação de borboletas no estômago persiste.
o medo e a ansiedade.
estou na beirada, nas pontas dos pés, pronta para pular.
falta pouco.

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– o que você quer ser quando crescer?
esta, talvez, seja a pergunta mais feita à todos aqueles pequenos seres fofinhos: as crianças.
nelas são depositadas todas as esperanças do mundo. todos os problemas se resolverão na próxima geração.
nem sempre né?
quisera eu, um dia, viajar pelo mundo, conhecer pessoas, aprender várias línguas, ser aeromoça.
impossível. morro de medo de avião.
quem sabe então, ser médica cirurgiã. curar pessoas, evitar males, salvar vidas.
o problemas seria o sangue né? vermelho, correndo por aquelas veias abertas.
talvez eu seja atleta. correr, nadar, pular. mas isso cansa né? preguiça.
o que vou ser quando eu crescer??
a mãe sempre diz: – minha filha vai ser doutora.
– não mãe, não vai dar. sinto muito.
na introspecção do meu mundo (que era meu quarto) sonhava em escrever, sempre curti.
sempre li muito, sempre gostei de português, geografia, história, da coleção vagalume.
sempre li querida, carícia, capricho.
sempre gostei de televisão, filmes. ficava imaginando como tudo era produzido, como aquilo era possível.
rádio era o que mais curtia, escutava o dia todo, ou sempre que tinha tempo, sempre amei música.
o que vou ser quando crescer?
o que pode juntar tudo isso que gosto? é possível? existe?
quero estudar cinema, artes, fotografia, português, tv, rádio….
o que vou ser quando crescer? jornalista.
me decidi aos 17 anos.
agora já cresci. e a cada dia que passa percebo o quão acertada foi  minha escolha.
preguiça eu teria de voltar e escolher tudo de novo. mas as vezes não seria mau.
lembro-me das imaginações de criança e de quando meu avô vazia microfones de madeira para que eu pudesse fazer um showzinho para a família, sabia que de alguma forma aquele instrumento estaria presente em minha vida.
somos partes do que vivemos a cada dia. sempre me pego pensando em momentos da infância que me fizeram ser exatamente o que sou hoje. tantas pessoas. tantas lágrimas. tudo para chegar exatamente onde estou. cada cicatriz.
todas as marcas são minhas. únicas.
tudo isso sou eu, hoje.
tudo isso é meu, de mais ninguém.
mas as perguntas não param.
se sou feliz?
digo só uma coisa: a estrada de ouro eu já encontrei.