repulsivo esquecimento.
é impossível apagar lembranças.
nada fará sentido. mesmo após a distração.
fugir então, para um lugar inócuo.
escuro e vazio.
apego-me. 
vejo a paisagem da janela.
apago-me.
entrego-me em lembranças que nunca existiram.
e, no final, vem o reencontro,
a descoberta.
hoje, mais do que qualquer outro dia, gostaria de zerar tudo. parar.
o tempo o espaço, refazer.
na solidão percebemos a fraqueza.
percebemos o que faz falta e o que sobra.
a sensação de estar sozinha é triste. sinto-me num vazio imenso.
carnaval? não. não deveria nem ter existido.
que passe logo este tempo. que chegue logo as cinzas.
por incrível que pareça, nas cinzas estarei melhor.
mais completa, menos vazia.

ps.: “triste é viver só, de solidão”

limpei cada palavra suja que corria naquele instante.
instante aquele guardado numa folha em branco.
branco pálido onde havia tudo.
tudo o que eu queria ou poderia.
poderia eu querer?
querer ser o que jamais seria.
seria aquela a escolher a palavra.
palavra, que mesmo sem sentido, me faria sentir.
sentir tudo aquilo que jamais imaginei.
imaginei sonhar.
sonhar com cada palavra suja que limpei.