capítulo dois

eram sete horas de uma manhã fria quando o despertador tocou.
no radinho de pilha no canto do quarto tocava come as you are.
ela saltou da cama como alguém que estivesse muito atrasado. mas não estava.
foi até a cozinha, bebeu leite, comeu pão.
“the choice is yours, don’t be late take a rest as a friend as an old memory”, ainda tocava no rádio.

voltou ao quarto, se olhou no espelho, foi ao banheiro, jogou uma água no rosto, trocou de roupa e foi
para a aula. ela vivia no interior, cidade pequena, poucos mil habitantes. seu nome era Cris.
o ano era 1995, e a movimentação começava. ela tinha doze anos.
saiu do portão de casa. desceu a rua, ainda tranquila, e resolveu passar na casa de seu amigo mais próximo para irem juntos.

Tom a esperava na porta de casa. cabelos pretos caídos sobre os ombros, na mão esquerda o skate, no ombro direito a mochila. no walkman tocava o disco nevermind, e naquele momento ele escutava

“and I swear that I don’t have a gun, no I don’t have a gun”. 
 
come as you are estava no fim, mas o dia deles estava apenas começando.
e aquele, seria um dia de revelações.
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sinto que estou derretendo e as palavras voando, apesar da falta de vento.
sinto que minhas noites estão mais curtas e meus dias mais longos.
sinto o sol dentro de minha sala.
tenho sonhado com situações estranhas, com pessoas desconhecidas saltando de trens e precipícios.
não vi os corpos caídos, foi melhor assim.
acordo cansada, e corro para descansar.
levanto peso para não engordar.
escuto músicas para me esquecer, ou me lembrar de tempos desconhecidos, de pessoas que passaram rapidamente pelos mesmos caminhos, mas que agora nem se lembram.
agora, conto os minutos para sair e tentar não lembrar do dia quente que passou.
sinto que preciso esfriar: os dias, o sol, minha cabeça.
descansar do fogo. derreter-se de mim.

fico muito feliz quando, de repente, aparece diante de mim algo que consiga me emocionar.
já aconteceu com músicas, que escuto em looping durante um bom tempo, até fazer sentido.
assim também com filmes e livros, que leio, releio, e leio novamente.
dessa vez, o que me apareceu foi o blog, the bro code.
se bem sei, o “bro code” pertence ao barney, um dos personagens mais legais da série how i met your mother.

não preciso dizer muito, clique, leia e se emocione.

até a próxima.

diante dos últimos acontecimentos, tenho medo de onde estaremos daqui a algum tempo.
naquela caixa escura, onde nos encontramos nas noites de calor ou frio, só aparece sangue, agressão, violência gratuita. sinto-me mutilada a cada nova morte desnecessária.
onde estaremos no futuro? isso vai depender do que estamos plantando agora.
fazer o melhor sempre.
gentileza gera gentileza.