via naquele rosto triste traços marcantes de uma infância sofrida.

os pés, ainda descalços, percorriam as pedras da ladeira até que pudesse descansá-los.
as bolhas usurpavam a calmaria daquela tarde, ninguém poderia entender.
nos olhos, as lágrimas não eram suficientes, já haviam cessado.
perderam-se no sofrimento. no rancor do tempo.
o que fazer para abarcar o clamor feito à tantos?
rezar? pedir? orar?
esperar era o que mais ele fazia e a paciência estava de esvaindo, assim como sua vida.
naquela tarde, decidira que tudo aquilo que sentia iria acabar.
pegou um chinelo velho, escondido debaixo da cama.
encheu a trouxa com as poucas roupas e pôs os pés na estrada.
nas costas, havia uma inchada.
na cabeça, o sonho de uma vida menos seca.
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