retrô

Então. Sempre gostei de coisas antigas: música, roupa, estilos. Sempre achei que havia nascido na época errada. Logo, seguindo este raciocínio, em 2014 eu entrei para um clube de vinil, o primeiro da América Latina, o Noize Record Club. Recebi três edições, contendo uma revista e um disco de vinil cada. Foi um lançamento e dois relançamentos, na sequência: Banda do Mar, Curumin e Otto. O último recebi hoje, o que me inspirou a escrever este breve texto.

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(Acima, as três revistas que recebi, na ordem: Banda do Mar, Curumin e Otto. | Fotos: Isabella Maques)

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Recebi três lindos discos coloridos: azul, amarelo e, hoje, chegou o transparente.

Ouvir um disco de vinil é uma experiência muito boa e diferente, para as pessoas que hoje estão acostumadas a ouvir música em seus mp3 players e em sites de streaming.

No fim de semana vou tentar fazer um vídeo com um trecho dos três discos que recebi ao longo de um ano e meio mais ou menos. Linda experiência.

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 Certa Manhã Acordei de Sonhos Intranquilos – Otto (Noize Recor Club) – Fotos: Isabella Marques

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desfoque

“Sinto que estou sumindo. Vivo no meio de uma crise. Crise dos trinta. Será? Tenho quase 33. Estou no olho do furacão. Sofro por falta de foco, nada tem me interessado. Pessoas muito menos. Finjo sorrir. Me escondo em teclas. Poderia ter trocado de nome e foto. Sonho acordada com uma vida impossível, porque a vida real é muito desinteressante. Procuro a salvação no google, não encontro respostas. Coragem, talvez, seja o que me falta. A menina intrépida está desaparecendo. As loucuras tem tomado um espaço maior. O desvario me faz fugir e escrever palavras que me libertam. Liberdade ainda que tarde. Espero que, de verdade, quando a normalidade voltar e esta confusão passar, não seja demais. Tarde demais.

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instagram: @_isabellamarques_ 

hoje

hoje, oito de março. já recebi alguns parabéns. ganhei chocolate. um beijo e um abraço.

hoje, um dia como outro qualquer. simbólico, da luta de muitas.

hoje, dia para se falar, também, sobre a violência que aumenta.

hoje, dia para se falar, também, sobre igualdade de gênero. de salários.

hoje, dia para se falar, também, sobre o empoderamento feminino.

hoje, dia para se falar, também, sobre respeito.

hoje, dia para se falar, também, que existem mulheres que preferem cuidar do lar, dos filhos e do marido (ou da esposa).

hoje, dia para se falar, também, que existem mulheres que preferem trabalhar fora, morar sozinha e não ter filhos.

hoje, dia para se falar, também, que existem mulheres a favor do aborto. porque, no corpo dela, é ela quem deve mandar.

hoje, dia para se falar, também, o que quiser.

hoje, também, dia de liberdade.

hoje, também, um dia como outro qualquer.

 

Adolescência tardia

Estou vivendo este dilema. Sério. Dia desses estava assistindo Friends com minha irmã, que é Psicóloga e tem 23 anos, aí num determinado momento ela vira e fala “Nossa eles são muito imaturos e já tem 30 anos”. Então, eu, que estava me arrumando, olhando no espelho disse: “Eu tenho trinta anos e não sou lá a maturidade em pessoa, né?”. Pois é, as vezes eu acho que vivo uma adolescência tardia. Eu tenho sim 32 anos, sou casada; logo, tenho marido, casa, carro, cachorro. Sim, mas também tenho meus discos, minhas séries, minhas frívolosidades (essa palavra existe?). E ultimamente minha mente tem me perturbado por conta disso, das minhas manias de adolescente, que são de adolescente, mas me fazem tão bem. Hahahaha.

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(reprodução do meu instagram @_isabellamarques_)

Se tem uma coisa que me deixa feliz, além de cuidar de minha casa e de minhas plantas – sim, não tem nada melhor do que colocar o som alto e varrer uma casa; passar uma roupa assistindo a um filme legal; e cuidar das plantas, mexer com a terra. Eu amo ficar em casa

Los Hermanos eu conheci, assim como o Brasil inteiro, com o hit Ana Júlia, lá em 1999. Mas, só mais tarde, quando eles lançaram o Bloco do Eu Sozinho, em 2001, é que as coisas começaram a fazer sentido. Eu escutei esse disco um pouco depois, em 2003, quando entrei pra faculdade de Jornalismo. Numa conversa, um colega de turma me apresentou. Agradeço a Deus por aquele momento. Esse disco, junto com Ventura (o melhor disco dos quatro que eles lançaram e que tem a música mais foda Conversa de Botas Batidas) mudou minha vida. É sério. Ano passado tive a chance de assisti-los ao vivo em BH, lá na Esplanada do Mineirão, e foi lindo.

LOS HERMANOS EM BELO HORIZONTE OUTUBRO DE 2015 (41)

(Los Hermanos: Rodrigo Amarante – foto: Isabella Marques)

LOS HERMANOS EM BELO HORIZONTE OUTUBRO DE 2015 (39)

(Los Hermanos: Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante – foto: Isabella Marques)

Em 2014 pude ir ao show da Banda do Mar, projeto paralelo do Marcelo Camelo, junto com a Mallu Magalhães (sua esposa) e o baterista português Fred Ferreira. Foi uma emoção ímpar, principalmente porque pessoas importantes da minha vida curtiram esses dois shows comigo. Foi lindo.

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(Banda do Mar: Marcelo Camelo, Fred Ferreira e Mallu Magalhães – foto: Isabella Marques)

BANDA DO MAR BH 29-11-2014 (41)

(Banda do Mar: Marcelo Camelo e Fred Ferreira – foto: Isabella Marques)

Então, em se tratando de música, ao longo do tempo fui melhorando e lapidando meu gosto. Quando era mais nova, era viciada em rádio e em gravar fitas k7, rs, e por isso ouvia todo tipo de emissora, e as músicas boas eram as que tocavam. Mas, mesmo assim eu conseguia garimpar bastante e, por isso, nessa época, de 14 ou 16 anos, ouvia de tudo. De Mutantes a Sandy e Junior. Passando por Beatles, Skank ou É o Tchan. É uma triste verdade. Mas uma coisa que tenho aprendido, principalmente nos últimos tempos, é que gosto musical é uma coisa muito pessoal. Haja vista que eu sofro bulling por gostar de Los Hermanos, rs, tô nem aí. Mas já fui muito pior em relação a isso. Agora eu brinco, mas deixo quieto. Certos tipos de música já não me atraem mais. Os anos 2000 me trouxeram as músicas que levarei pra sempre na vida, como disse.

Adele. Oh, Adele. Conheci Adele após a morte da Amy, como já disse neste e neste post. Assim como Los Hermanos, a conheci por meio de seu maior sucesso na época, Rolling in the deep. Mas quando ouvi os dois discos inteiros, 19 e 21, pirei completamente. Ela é muito foda, e é tão jovem, mas é tão foda, rs. Bem, nunca mais deixei de ouvir. E me faz tão bem, fico feliz e calma seja ouvindo uma música de coração partido ou alguma do 25, um disco sobre amadurecimento.

Amadurecimento. Quando sabemos que o alcançamos?

Acredito que seja nas pequenas atitudes e tomadas de decisão. Acho que ser maduro não significa deixar de lado o que te faz bem, para viver uma vida regrada e envolta apenas por questões muito sérias.

Eu, sinceramente, não ligo muito para os outros. Continuo assistindo minhas séries, pirando quando acontece algo bom ou ruim; ouvindo minhas músicas e tietando meus músicos favoritos. Sim, meu nome está escrito na bandeira que Adele ganhou lá em Dublin. Perdi o sono imaginando que ela virá pro Brasil. Fico preocupada com o valor do ingresso, por que né? A crise tá aí. E não pense que eu sou daquelas pessoas que vive dentro de uma bolha, alienada, sem saber o que se passa com o país ou mundo, eu sei bem o que ocorre, mesmo porque é minha obrigação saber, sou Jornalista por formação e Assessora de Comunicação por profissão. Mas, enfim. Minha adolescência tardia as vezes grita mais alto; mas quer saber? tô bem feliz assim.

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(Adele segura a bandeira do Brasil durante apresentação em Dublin – foto Vinícius DantasPortal Adele Brasil).