notas sobre o livro que ainda não li

vi que aquelas páginas amarelas carregavam muitos sentimentos inócuos.

mas, ainda assim, as páginas vazias revelavam o temor do autor diante delas, antes brancas.

encontrei os velhos textos, ainda escritos à mão, escondidos num canto da gaveta da velha cômoda encostada, no velho quarto.

eram planos de um futuro próximo, e próspero.

havia descoberto aquele lugar há pouco.

no canto de uma das folhas, uma mancha vermelha.

seria água?

poderia ser vinho.

uma lágrima, borrada em tinta.

ou uma gota de sangue.

naquelas páginas amarelas, não consegui descobrir muitas coisas.

era tudo muito vago.

era tudo muito cinza.

nos cantos das páginas amarelas letras minúsculas davam nota para as divagações.

nada de afeto.

percebia-se o desamor. a frustração.

tudo aquilo parecia errado.

não deveria estar ali, pois conhecia o caminho.

mas me perdi no meio das palavras cruzadas.

palavras não escritas.

aquele era meu mundo.

estava perdida em minha alma.

buscando consolo em páginas em branco.

as páginas amarelas eram meu caminho.

o velho quarto, que escondia a velha cômoda com aquela grande gaveta, que ao fundo havia escondido aquelas páginas amarelas, era eu.

as páginas brancas, minha vida.

os rascunhos nos cantos, minha vontade.

vontade verdadeira, de reescrever páginas.

ou de preenche-las.

páginas ainda em branco.

do livro que ainda não li.

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