Eu tô muito bem

Tem coisas que acontecem na vida sem motivos aparentes, mas acontecem e nos fazem um bem danado. Quando escuto uma nova banda boa. Que tem novas músicas boas (para mim). Ou quando assisto a um filme. E (re)assisto a milhões de outras vezes, sempre com a mesma expectativa. E a mesma coisa acontece com minhas séries preferidas. Ou com as séries boas que acabo de conhecer. E isso acontece também com livros. Livros aqueles que lemos em menos de 24h ou em menos de uma semana. Para pessoas que não tem leitura dinâmica, como eu, isso é uma coisa de outro mundo. Privilégio que a vida nos dá, vez ou outra. Hoje, focarei nos livros. De tempos em tempos aparece algum, que mexe comigo. Mexe com tudo na minha vida. Me desperta sensações, sentimentos, vontades, liberdades.

20160617_193608os que serão citados neste post

Isso acontecia quando, na adolescência, lia alguns livros da coleção Vagalume. Principalmente os do Marcos Rey. O Mistério do cinco estrelas, O Rapto do Garoto de Ouro, Um cadáver ouve rádio, Enigma na Televisão e por ai vai. Lia tudo em um dia. E relia. E aquilo era incrível. Na fase adulta da vida, se é que posso me considerar assim uma adulta (tá aí uma grande crise que vivo e já até escrevi sobre isso aqui), alguns livros me causaram este rebuliço.

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Ensaio sobre a cegueira. Foi o primeiro e, por enquanto, único livro que li do Saramago. Quando comecei a ler aquelas páginas, fiquei emocionada. Sério. Ele me fez refletir sobre o animal caótico que é o humano. Foi incrível. Os imperfeccionistas, de Tom Rachman, foi outro desses livros. Várias histórias que se cruzavam. A crise do jornalismo. As grandes corporações. Na época que o li eu era recém-formada em jornalismo. Meu diploma havia caído há pouco. Eram tempos difíceis, aqueles. Lisboa, de J.R. Duran, também foi outro achado interessante.

20160617_194007🙂

Mas, os mais recentes que me tocaram profundamente, por serem crônicas reais, de pessoas reais, que vejo quase sempre, à distância de uma tela: de tevê ou de pecê, foram dois:

O primeiro foi o 38 e meio da Maria Ribeiro. A beira dos 40 anos, a atriz e apresentadora narrou sua vida e suas experiências, primeiro para as páginas da revista TPM e, depois, para o livro que hoje guardo com afeto na estante lá de casa. Sobre ele já escrevi neste post, por isso não preciso me prolongar.

O segundo, que me trouxe ao blog hoje, e me fez escrever todas estas linhas, foi o livro de uma menina (sim menina) de 25 anos. Tá todo mundo mal, é o título do primeiro livro da youtuber Julia Tolezano da Veiga Faria ou apenas Jout Jout*.

(*Falei Jout Jout como se todo mundo conhecesse Jout Jout. Na verdade, todos conhecem sim.)

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Conheci  Jout Jout muito provavelmente pelo vídeo do batom vermelho, mas já sabia de sua existência sem nenhum motivo específico. A partir do batom, fui procurar outros vídeos e me surpreendi de maneira positiva. Foi a primeira vez que um canal tinha, de fato, prendido minha atenção. A partir dele comecei, inclusive, a prestar atenção em outros.

Bem, eis que em 2016 vem uma notícia muito boa: o livro da Jout Jout. O livro das crises. De tantas. Mais tantas. Em cada capítulo uma diferente. E na medida em que os capítulos iam avançando, mais eu me identificava. Em todos os momentos, raras exceções, passei por todas aquelas crises. Algumas mais graves outras nem tanto.

Na medida que a leitura avançava, percebia alguns gostos em comum. Um deles, foi o gosto por séries. Gilmore Girls, a melhor de todas. E estou revendo-a pela sexta vez. Consigo passar um final de semana inteiro deitada no sofá, assistindo meus filmes e séries. Não fosse a vida, ficaria mais tempo, rs. Felizes verdades, acredito. Mas, após momentos como esse, aparecem crises como as que ela apresenta no livro. O que eu poderia estar fazendo (ou ter feito) se não estivesse aqui, grudada no sofá por 48 horas? Vivo aqui (ou lá) da mesma maneira que viveria com a cara no sol. Mas talvez fosse mais feliz estando 48 horas deitada no sofá, morrendo de rir das piadas e foras de Lorelai, tomando café e comendo pão de queijo. Naquele momento, minha felicidade é isso.

Entre tantas crises e histórias que Jout Jout apresenta em seu livro, uma chamou minha atenção, é o trecho que segue:

A gente tem essa impressão  às vezes de que tem uma hora que a gente vai crescer. Sexta que vem eu cresço. Quando na verdade a gente já cresceu faz tempo, mas é tão insuportável crescer, que a gente fica jogando lá para a frente. “Quando eu acabar a faculdade”, “quando eu acabar a minha pós”, “quando eu acabar o mestrado”, e quando você vê, está com sessenta anos e nada de se sentir adulto. Você quer que sua vida comece logo, quando na verdade ela já começou há mais de vinte anos. (p. 99)

No meu caso, há mais de trinta.

Crises habitam minha cabeça desde sempre. Nunca fiz terapia. Morro de vontade. Se bem que, nas profundezas deste blog tem muitas sessões. Às vezes completas. Eu mesma me dei alta várias vezes. E me mandei deitar no divã e falar sem parar.

As crises fazem parte da vida. As da Jout Jout agora fazem parte da minha. Talvez por, também, serem em grande parte as minhas. A crise de ser a irmã mais velha. A crise de não fazer diferença ser a irmã mais velha. A crise por ter muitas opções. Ou nenhuma. A crise de preferir o moletom, sempre. A crise de casar ou comprar uma bicicleta (essa última foi por minha conta).

Casei. Comprei casa e carro. Hoje, tenho um marido e um cachorro. E as crises evoluíram.

Por exemplo, neste momento, vivo uma dessas.

Uma muito grande.

Uma que não sei se saberei lidar.

O livro acabou.

Terminei de ler em menos de 24h. Na verdade, foram gastas 22h para ler as 196 páginas. Ele é muito bom. É isso que significa. Depois que colei os olhos nas páginas não consegui parar de ler. E quando percebi, acabou. :/

O que fazer agora? Estou me parecendo com aquelas pessoas no fim do filme “O show de Truman”.

A crise da espera do próximo livro, ou do próximo vídeo.

Mas, depois dessa experiência, no fim das contas, aprendi uma coisa:

Sem crises, parece que você não se transforma. E, se você não muda, você para. (p.196)

Isso aí. Que venham muitas crises e superações.

Tá bem? Então tá bem!

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Livro: Tá todo mundo Mal (2016)

Autora: Jout Jout

Editora: Companhia das Letras

Ps: Tudo bem que eu não precisava ter escrito textão para dar explicações do porque gosto de alguma coisa. Mas, só escrevi porque queria mesmo. Só pra constar. #entendedoresentenderão

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🙂 ❤