O retrato da literal expressão “o problema é seu” em 13 Reasons Why

Tem estreia de categoria aqui no blog. A partir de hoje minha irmã, a Ana Caroline Figueiredo, que é psicóloga, também fará textos sobre diversos temas, sempre focando na Psicologia. E o primeiro é sobre um tema que está causando no momento, e até eu já escrevi sobre ele aqui no blog. Então, boa leitura. 🙂

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13rw_li

Por Ana Caroline Figueiredo

Psicóloga Clínica

13 Reasons Why é a série e o assunto mais comentado do momento. A produção da Netflix, baseada no livro de Jay Asher, fala sobre as treze fitas gravadas por Hannah, para as treze pessoas (e motivos) que a levaram a cometer suicídio.

Muitas críticas estão surgindo relacionadas as cenas explícitas de abuso e, principalmente, de suicídio, no qual vemos passo a passo a morte da garota. A série é chocante e incômoda sim. Confesso que fiquei agonizada quando a menina corta os pulsos ou quando é estuprada pelo “bonitão” da escola. Mas aí parei para pensar que não paramos para pensar nessas coisas, entende? Quando lemos acontecimentos relacionados a esses assuntos, não paramos para compreender a intensidade e o sofrimento de quem está passando por isso. Banalizamos a dor do outro, fechamos a página de notícias e fim. Vida que segue! Pelo menos a nossa, né?

Mas a minha crítica aqui não vai exatamente para esses acontecimentos, ela vai um pouco mais além. Pra ser mais precisa, vai para a pessoa responsável pela 13ª fita, o conselheiro. Sou psicóloga e assisti a série por assistir mesmo, mas a cada episódio me chamava muito a atenção aquelas ações que acometiam a vida da adolescente e a maneira como ela lidava com aquilo tudo. Não é mentira que Hannah passou por coisas pesadas, mas o fato dela não conseguir enfrenta-las é preocupante. Existem milhares de pessoas assim. As vezes o que é insignificante pra mim, tem um peso enorme para a outra pessoa, mas não nos atentamos a isso. Não percebemos o sofrimento do nosso filho, do nosso amigo, do nosso aluno. Não notamos sua mudança de comportamento e seus sinais que gritam por ajuda. Sabe por quê? Porque temos a mania de achar que os nossos problemas são maiores que o dos outros.

Bem, então Hannah estava lá. Já havia passado por poucas e boas; e no último episódio ela diz assim: “Resolvi dar mais uma chance pra vida. Mas dessa vez não vou ficar sozinha. Vou procurar ajuda!”. Isso aí. Tá certinha, Hannah! Até porque quando não sabemos lidar com algo, precisamos procurar por ajuda sim. Qual é o problema de falar que você não consegue? Então, ela decide procurar o conselheiro da escola, que, a meu ver, é tipo um psicólogo ou um psicopedagogo. A menina conta tudo, deixando muito claro que não quer viver, que chegou no limite, que foi abusada e que não está conseguindo lidar com aquilo tudo sozinha. Aí o conselheiro vai e fala mais ou menos assim pra ela: “Se você não pode me falar quem abusou de você, então esquece isso e segue com a sua vida.” Oiii???? Como assim?? Que profissional é esse que acolhe uma pessoa em sofrimento extremo, ameaçando a própria vida e simplesmente ignora?

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Fiquei muito chocada com isso porque, pra mim, ele foi a maior razão da garota ter cometido o suicídio e mais chocada porque sei que existem profissionais assim. Foi por isso que tive a necessidade de escrever esse texto e dar a minha opinião sobre essa série.

Achei ótima, achei necessária, achei chocante sim. Não acho que incita o suicídio, ao contrário, como já foi divulgado que o número de procura pelo CVV (Central de Valorização da Vida) dobrou, e além do mais, o suicídio já não é algo divulgado, mas mesmo assim ainda é uma das maiores causas de morte no mundo. Então, vamos falar sobre suicídio, vamos falar sobre abuso, vamos falar sobre bullying. Vamos acolher o sofrimento das pessoas, vamos notar as mudanças daqueles que estão perto de nós e que amamos, vamos ajuda-los e quando não pudermos ajuda-los, vamos encorajar as pessoas a procurarem ajuda. Ninguém está sozinho nessa. Vamos valorizar a vida!

Ana Caroline Figueiredo é psicóloga clínica e atende em Divinópolis (MG).
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