Dia 30

 

Astronauta de la nada001 - loucuras-troche

ilustração: troche

 

O que sentimos durante esta jornada diária vem em ondas. Acho que o Lulu Santos já cantou isso, “num indo e vindo infinito”.

Temos dias bons, dias ruins, dias péssimos, dias ok. Meus melhores dias são os cinzas. Quando digo “cinzas”, não quero dizer triste, quero dizer frios, de inverno. São os dias mais aconchegantes. Meu Dia 29 assustou minha irmã. Ela disse que foi muito depressivo aquele texto. Eu não achei. E aí perguntei: você acompanha meu blog mesmo? E ela disse, – sim. A maioria dos meus textos tem uma ponta de melancolia, mas não é forçação de barra, sou eu. O que posso fazer? – Terapia, ela disse. Ok. Ok.

Acredito muito nos opostos. Todo sentimento tem o seu antagonista. Para haver paz, é preciso guerra; para haver amor, é preciso ódio; para haver felicidade, é preciso a tristeza.

Prefiro viver com um pé atrás, pisando em ovos, do que ter certeza absoluta da felicidade, do amor ou do que quer que seja, e me frustrar depois. A bem da verdade vamos nos frustrar de qualquer forma. Pode parecer loucura. Tem pessoas que preferem viver no limite da adrenalina, das sensações mais à flor da pele, eu não.

Por enquanto, vivo bem com meus demônios, e consigo controlá-los, apesar deles quase me destruírem, as vezes. Quem sabe a terapia?

Mas, me perdoa, irmã, ainda sinto um pouquinho de medo. Assim, como disse Cazuza, tenho medo de fazer terapia e perder a inspiração. Seja lá o que isso possa significar.

 

 

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