Filme da semana: As patricinhas de Beverly Hills

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Como não amar este filme? É possível isso, Acredito muito que não.

As patricinhas de Beverly Hills é um filme muito bom que, lógico, marcou minha adolescência e eu o via todas as vezes que era exibido na Sessão da Tarde. O que acontecia umas cinco vezes por ano.

O filme conta a história de Cher (Alicia Silverstone), uma adolescente de um tradicional colégio de Beverly Hills, que resolve ajudar uma aluna recém-chegada à escola (Tai) a melhorar tanto o estilo, quanto as atitudes. Esta nova aluna é nossa saudosa Britanny Murphy, falecida em 2009. :/

Cher é uma típica adolescente norte-americana: rica, ligada em moda, popular e amiga dos populares e ricos da escola. A ideia de ajudar a Tai surge quando ela consegue juntar dois professores “caidinhos”. Fica tão empolgada com a felicidade dos professores, que resolve ajuda a menina, e transformá-la também.

O problema é que o tiro acaba saindo pela culatra quando Tai começa a ficar mais popular e a chamar mais atenção do que Cher. E o pior é quando Cher percebe que está apaixonada pelo mesmo menino que Tai.

Ah, os problemas adolescentes!

O filme é muito bom, principalmente por ser despretensioso. Até hoje, quando é exibido assisto e me divirto. Dizem que o filme virou série de TV e de livros. Disso eu não cheguei nem perto. 🙂 Ah, e me parece que ele é superficialmente (lógico) inspirado no livro Emma, de Jane Austen. Será? (tô perguntando porque eu não li o livro, logo…)

Com direção de Amy Heckerling, completam o elenco Stacey Dash (Dionne), Paul Rudd (Josh), Dan Hedaya (Melvin), Breckin Meyer (Travis) e Jeremy Sisto (Elton).

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Filme: As patricinhas de Beverly Hills (Clueless)

Diretor: Amy Heckerling

Ano de lançamento: 1995

Dia 33

Fico pensando: qual é o momento em que nos tornamos adultos? Existe um episódio épico, uma porta mágica, uma rua ou uma fresta que nos faça entrar neste período e termos a certeza? Biologicamente, dizem, é a pessoa que atingiu sua capacidade reprodutiva. Eu pensei que era por volta dos 25 e que antes disso era considerado “jovem”. Apenas jovem, estes seres superiores que podem ler livros como a culpa é das estrelas sem culpa. Muito interessante. Mas, nós que já atingimos quase dez anos desta meta, ainda continuamos nos perguntando: quando?

Eu, falando na primeira pessoa do pural, não sei porque. Voltemos, ou melhor, voltarei a reflexão anterior: quando eu percebi que já era adulta? Acho que os primórdios desta sensação veio quando passei no vestibular, aos 18 ou 19, e percebi que não tinha um centavo pra fazer faculdade e universidade pública em minha cidade ainda era promessa política.

Fui com a cara e a coragem e consegui a grana pra matrícula, a fiz e comecei o curso de Jornalismo. Quando o primeiro boleto chegou percebi o tamanho do compromisso. Primeiro indício.

Hoje, olhando pra trás, devo agradecer aos trabalhos difíceis, mas importantes, que me fizeram chegar onde estou hoje: balconista/vendedora de discos e caixa de padaria. Não menosprezo de maneira alguma estas profissões, pelo contrário, as respeito e agradeço. Mas agradeço principalmente por já terem passado. O período no qual estive nestas funções foi um dos mais árduos e difíceis. Era o início da minha “adultice” e eu nem imaginava.

O tempo passou e eu vivendo minhas ilusões e criando amigos imaginários, ouvindo músicas tristes e românticas e escrevendo neste local para vocês, meus queridos cinco ou dez leitores. Prefiro pensar que são oito por mero acaso. Oito é o número da minha vida, mas não quero me perder do assunto principal que é crescer.

Outros indícios são família, casamento, casa, cuidado, responsabilidade. A vida adulta nos exige muito, mas acho justo. É justo cobrar pela liberdade, mesmo que forjada.

Crescer dói, mas é bom, muito bom. Mesmo com as amarras criadas pelo tempo.

Há oito dias cresci mais um pouco. No último dia oito completei trinta e quatro. E assim a vida passa, evolui e as coisas tendem a acontecer e a continuarem evoluindo. Não tem como fugir da realidade, já sou crescida o suficiente para saber disso, mas também não quero me forçar a fazer o que não quero. Faz sentido? Espero que sim.

Continuo gostando de filmes, músicas, séries, livros (meu último hábito e maior amor) e escrevendo também.

Escrever me liberta a alma e as amarras impostas pela dureza da vida adulta, que tende a ser mais leve conforme nos permitimos. Um ótimo hábito que quero ter aos trinta e quatro: ir ao cinema comigo. Sim. Este foi meu presente de aniversário para a mulher que acabara de completar trinta e quatro e que não começou o dia dos trinta e quatro muito bem. Aquela tela imensa logo a frente. Num canto água, noutro pipoca e chocolate, e uma boa história. Fui feliz naquela tarde. Não há tempo a ser perdido.

A vida começa em nosso primeiro suspiro. E devemos seguir.

 

Livro do mês: A revolução dos bichos

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A Revolução dos bichos é um livro de George Orwell, publicado originalmente em 1945. O livro foi rejeitado por inúmera editoras, pois os editores o viam como uma sátira ao stalinismo, o governo ditador e autoritário da antiga União Soviética, comandada por Josef Stalin.

Trata-se de um grupo de animais, que viviam na Granja do Solar, cujo dono era o senhor Jones. Pouco antes de morrer, Major, um dos porcos mais velhos da granja, convoca uma assembleia entre todos os animais que ali viviam e, logo ao início, Major lhes explica o motivo da reunião, que ocorria já em noite avançada no celeiro da granja:

Então, camaradas, qual é a natureza desta nossa vida? Enfrentemos a realidade: nossa vida é miserável, trabalhosa e curta. Nascemos, recebemos o mínimo alimento necessário para continuar respirando, e os que podem trabalhar são exigidos até a última parcela de suas forças; no instante em que nossa utilidade acaba, trucidam-nos com hedionda crueldade” (p.12)

Com esta fala, o velho Major, inicia a movimentação dos animais da futura “Granja dos Bichos”.

Para Major, com quem todos os bichos concordaram, o principal inimigo era o homem. Era o homem que tomava todas as decisões referentes à vida dos bichos, os alimentos e o trabalho. E, conforme disse:

O Homem é a única criatura que consome sem produzir. Não dá leite, não põe ovos, é fraco demais para puxar o arado, não corre o que dê para pegar uma lebre. Mesmo assim, é o senhor de todos os animais” (p.12)

O Homem não busca interesses que não os dele próprio. Que haja entre nós, animais, uma perfeita unidade, uma perfeita camaradagem na luta. Todos os homens são inimigos, todos os animais são camaradas.” (p. 14)

A assembleia dos bichos ainda durou um pouco, encerrando-se com o canto do hino “Bichos da Inglaterra”, que acabou acordando Jones. Os animais aquietaram-se. Três dias depois o velho Major faleceu. Com sua morte, Bola-de-neve, o outro porco, tomou à frente das reuniões. Contra ele estava outro porco, Napoleão.

A partir deste momento começaria a organização dos bichos, que teve em sua atitude primária a expulsão dos humanos da granja tornando-a, então, a Granja dos Bichos.

O interessante deste livro, primeiro, é pensar numa revolução como esta. O que será que os animais, principalmente os escravizados pelo homem, fariam se pudessem ter força e inteligência suficientes para dominar o ser humano? Afinal de contas, são anos de repressão.

Outro ponto importante é como este grupo que, a princípio se uniu para um bem comum, acabou criando castas entre os “iguais”. Ali, na Granja dos Bichos, o seres superiores eram os porcos. Eles viviam na “Casa Grande”, deturpavam a verdade em favor próprio e criaram um “monstro” para que pudessem sempre ter algo com que amedrontar a população animal. Os porcos eram os mais inteligentes.

No fim das contas, a repressão e a escravidão continuaram. A marcante cena final, descrita no livro, quando todos os bichos da granja estão à espreita, observando o jantar que Napoleão oferece à alguns humanos e ficam confusos por não perceberem as diferenças entre um e outro, dá o tom real, e cruel, do quão o poder pode ser devastador.

Doze vozes gritavam, cheias de ódio, e eram todas iguais. Não havia dúvida, agora, quando ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez ; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco.” (p. 112)

Este livo deveria ser leitura obrigatória nas escolas do mundo todo. Eu digo isso porque demorei muito para lê-lo. É importante para que nós, seres humanos, consigamos entender a estrutura política e social em que vivemos e suas inúmeras estratificações. Não existem iguais, apensar de parecerem, sempre haverá um ser que sobressairá ao outro, que dominará o outro, seja com a força das mãos ou com a ideologia. E, caso o ser dominante consiga estes dois poderes, aí estaremos perdidos. E o máximo que conseguiremos é lutar pela queda dos que dominam.

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Livro: A Revolução dos Bichos (Animal Farm: A Fairy Story) 

Autor: George Orwell

Tradução: Heitor Aquino Ferreira

Editora: Companhia das Letras (45ª reimpressão/ 2007| 1ª ed./1945)