Música do dia #273

273 de 365 – (You Make Me Feel Like) A Natural Woman

Uma voz é uma voz, não é mesmo? E Aretha Franklin consegue transformar esta música de Carole King num clássico. Amo a versão com a Carole, mas esta é de arrepiar (e se emocionar).

Artista: Aretha Franklin

Álbum: Lady Soul (1967)

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Filme da Semana: Onde vivem os monstros

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Um dos filmes mais interessantes, e que me trouxe uma profunda reflexão, que assisti nos últimos tempos. Ele é de 2010, mas o assisti apenas no ano passado. Quando o assisti até escrevi este texto.

Trata-se da história de Max, uma criança com muita imaginação e criatividade que, após ser repreendido por sua mãe, resolve fugir. Durante sua fuga, ele vai parar em uma ilha, um lugar habitado por monstros. Ao se sentir ameaçado, Max resolve dizer que é um rei com superpoderes e que poderá destruir a todos. Ele consegue ser convincente com esta história e os monstros o elegem rei. A princípio ele se diverte com os novos amigos, planeja uma nova casa para o grupo, mas aos poucos alguns conflitos vão se acentuando, o que acaba por deixar Max a beira de dizer a verdade.

Onde vivem os monstros é uma interessante metáfora de como nos escondemos ou de como evitamos muitas vezes resolver certos problemas ou tornando-os bem maiores do que são. O filme é baseado no livro Where The Wild Things Are, de Maurice Sendak, de 1963.

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Filme: Onde Vivem os monstros (Where The Wild Things Are)

Direção: Spike Jonze

Ano de lançamento: 2010

 

 

Dia 39

Fico muito feliz, muito mesmo, quando descubro, redescubro, me encontro com algo, dentre as coisas de que gosto, e que são realmente boas. Pode ser um texto, um filme, uma música, um disco. No primeiro final de semana do RIR eu me reencontrei com uma artista que me arrependo muito de não ter prestado atenção antes. Alicia Keys fez um show tão grande – e nem é por conta da grandiosidade do palco, mas pela grandiosidade da própria pessoa – que ela conseguiu me fazer me ver. A frase ficou estranha, mas o negócio é: eu me vi representada. Segunda vez neste ano.
Eu tenho um grupo restrito de personalidades femininas as quais admiro e recorro sempre que preciso, o que é praticamente todos os dias. Faziam parte, até este momento, Adele e Maria Ribeiro. E nesta semana coloquei neste mesmo potinho de inspirações a Alicia. Que mulher é esta? Que show foi aquele?

 (fotos: Divulgação)maria-ribeiro-li
Partindo do início, conheço a Maria desde o trabalho que ela fez em História Amor. Uma novela do Manuel Carlos, na Globo. Mas só comecei a prestar atenção quando a vi no Saia Justa. A partir daí descobri que ela também escrevia, aí me entreguei total, às verdades erros, acertos e tudo que ela nos oferece. O último presente que recebi, além dos textos quinzenais e uma curtida ou outra num tweet, foi a Rosa. Filme que emocionou não só a mim, mas parte do mundo que pôde assisti-lo. Aprendi muito. Me vi na tela de cinema. São tantos os nossos dilemas. E escrevo este texto às 4h da manhã de um domingo numa das semanas mais cansativas, lotada de trabalho. Fui me deitar devastada, mas o cansaço não me deixou descansar. Sigamos.

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Já Adele conheci muito por conta da morte da Amy. E tive o interesse de conhecê-la por causa de One and Only. Já escrevi isso aqui algumas vezes. Mas, apesar de ter escutado primeiro o 21, meu disco preferido da Adele é o 19. Nem tanto pelo refinamento técnico, talvez muito melhor nos dois seguintes, mas porque, na minha opinião, este é o disco mais verdadeiro. Não sei se verdadeiro é a palavra, mas ali a Adele está mais pura. Também não sei se esta é palavra, enfim. Neste disco vejo uma Adele que toca violão e baixo no palco, que se arrisca no rock da banda The Raconteurs. E era muito bom, menos grandioso. Soava mais verdadeiro. E o interessante que desde o início ela não quis se enquadrar num padrão. Foi seguindo e hoje é uma das maiores.

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Então,  eis que no dia 17 de Setembro de 2017, sentada no sofá, assistindo aos shows do RIR televisionados, pensando no dia em que eu poderei estar lá vivendo esta experiência, me surge Alicia Keys para me tirar do lugar. Foi impossível ficar desatenta quando ela pisou no palco e, como já disse, meu maior arrependimento foi não ter prestado atenção antes. Mas ainda bem que está em tempo.
Eu já havia lido sobre o manifesto da Alicia no ano passado, mas nem isso chamou minha atenção para as ações desta artista. O show serviu pra isso. Então, como todas as minhas obsessões, na segunda baixei todas as músicas possíveis, salvei todos os discos e criei playlist no Spotify. E fui conhecendo a artista e a mudança que ela deu em sua carreira. Here, o disco lançado por ela em 2016, depois de 4 anos, é um dos melhores discos que escutei nos últimos tempos. É de uma verdade. Aí ontem li o manifesto inteiro, na língua original que é pra testar se o estudo de inglês serviu pra alguma coisa, e serviu sim. E, por falar em manifesto, ele foi publicado na newsletter da Lena Dunham que eu assino a um tempo já (e vale muito a pena acompanhar). Enfim, quando escutei o disco novo, assisti aos vídeos, li o manifesto, assisti ao curta metragem, ao trailer de um documentário que ela fez sobre as crianças com AIDS na África, jogou luz sobre a questão dos refugiados e juntei tudo isso ao maior protesto político que aconteceu no palco mundo no primeiro fim de semana, e que deu resultado, tive a certeza de que nunca mais ela sairia do meu campo de observação. Ela convidou a maior liderança indígena do país para fazer um discurso em favor da Amazônia. Isso é de uma generosidade e humanidade sem tamanho.x71720273_RI-Rio-de-Janeiro17-09-2Alicia-Keyes-Sonia-Guajajara-li
Alicia se despiu. Resolveu ser ela sem as máscaras concedidas pela indústria. Resolveu assumir o cabelo e sua natureza. Toda pessoa afrodescendente passa pelo dilema do cabelo ao menos uma vez na vida e comigo não foi diferente. Quando vejo fotos da época em que meu cabelo estava liso eu não me vejo. É feio.
Acho importante nos inspiramos em pessoas que realmente valham a pena e estou muito feliz com as pessoas que acompanho até então. As três, hoje, são as principais, são muitas as que vejo, ouço e leio no meu dia a dia e que também me inspiram.
Vamos nos olhar. Vamos ser luz para as outras, para os outros. Assim, acredito, as pessoas vão melhorando, mesmo que aos poucos. Espero.

Música do dia #267

267 de 365 – Best for last

O 19 é, na minha opinião, o melhor disco da Adele. Talvez eu o prefira porque neste disco ela ainda não havia sido engolida pelas inúmeras premiações e se transformado numa pessoa quase intocável. Apesar de sempre parecer a mesma, ela mudou sim, a sua música continuou ótima, mas o que foi feito no 19 nunca mais voltou. A liberdade, a experimentação, tudo substituído por um aparato técnico impecável. O que não é de todo mau, mas eu ainda preferia a Adele tocando baixo e guitarra nos festivais de jazz e cabelão ruivo. Tô nostálgica hoje.

Artista: Adele

Álbum: 19 (2008)