Dia 40

Eu, ainda nulípara, aos 34, às vezes me canso de ser obrigada a responder questões referentes a herdeiros. Quando?

Eu, aos 34, às vezes me canso de ter de dar explicações a conhecidos e desconhecidos sobre decisões que caberia apenas a mim. E ao marido, no caso dos herdeiros.

Eu, aos 34, às vezes me pego pensando no que ainda não fiz e se o tempo me deixará cumprir o roteiro que carrego em pensamento. Será possível?

Eu, aos 34, imagino ainda ser possível conhecer ao menos as três cidades do mundo que sempre quis explorar. São de três diferentes continentes. Nada comparado a uma volta ao mundo. Mas mudaria o meu.

Ainda, nos próximos anos, me imagino num festival de rock e, numa dessas, já teria cumprido a visita numa das cidades dos sonhos.

Ainda, nos próximos anos, me imagino. Escrevendo, viajando, chorando ou talvez sorrindo.

Eu, aos 34, penso que a felicidade é algo mais simples quando nós a decidimos para nós mesmos. O peso que carregamos vem, muitas vezes, pelo peso que os outros depositam em nós.

Expectativas.

Eu, aos 34, quero ser apenas o que sou. Gostando apenas do que gosto. Evitando ver e falar sobre o que não me complementa.

Solar.

Eu, aos 34, posso parecer fútil, às vezes, por preferir bens culturais a tragédias.

De tragédias já bastam as minhas. O peso dos meus problemas só eu sei.

Cada um tem a vida que lhe é destinada. Uns sofrem mais que os outros.

Infelizmente, sina.

Eu, aos 34, estou aprendendo.

Respirar e viver.

Um dia de cada vez.

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