Dia 44

Medos. Hoje vou tentar falar sobre eles.

Isso porque eu sou uma pessoa ansiosa até o talo.

E juntar ansiedade com medo, no meu caso, pode ser algo perigoso.

Talvez.

Tenho três medos que me paralisam um pouco: elevador, direção e galinhas (galos e afins). Este último chega a ser constrangedor, mas, sim, tenho um pouco de pânico de ser bicada. Galinha (galos e afins) pra mim só cozida (perdoem-me os protetores dos animais ou veganos).

O medo de andar de elevador até que está mais ameno nos últimos tempos, mas sempre que posso prefiro subir e descer escadas e, pensando bem, é até mais saudável. Ajuda o glúteo a se manter no lugar. Rá.

Bem, meu pânico maior é a direção de veículos, mesmo. Completei, no último dia 29 de agosto, 2 anos daquele fatídico sábado que  fiz tudo certo, incluindo a baliza, e tirei carteira. Na semana em que isso ocorreu, e em alguns meses depois, minha maior felicidade era dirigir. Mas, depois de um tempo, comecei a ter pânico só de pensar em fazer isso.

Pânico mesmo.

– Quanto mais eu puder evitar, eu vou evitar. Dizia meu eu interior.

Bem, fugi o quanto pude, até que meu marido resolveu jogar futebol. E machucou o joelho. E precisou fazer uma cirurgia, o que o impossibilita a direção.

Logo, a motorista da casa neste exato momento sou eu.

Pânico.

Suo frio, tenho tremedeira, o coração quase sai pela boca de ansiedade. Só de imaginar em ter de enfrentar todas essas vias, todas essas pessoas que estão sempre com pressa, na correria e tudo o mais.

Quando ele saiu do hospital eu o deveria tê-lo trazido pra casa, mas fui salva pelo gongo, ou melhor, por um amigo que se ofereceu para trazer nosso carro para casa, enquanto eu o acompanhava na ambulância. Nunca fui tão feliz em andar numa ambulância (primeira vez, também).

Mas aí hoje veio a realidade: precisávamos comprar várias coisas que aqui nos arredores de casa não encontramos. A resposta imediata: ir até o supermercado que mais gostamos. Porém, ele se localiza no outro lado da cidade. O que fazer? Ir de carro, né?

Então, assim que pensei o que precisaria fazer, já comecei a traçar as rotas, de onde evitaria morros, ou como deveria estacionar, onde deveria virar etc. etc.

Bem, fomos (ele foi junto). Caramba, como é difícil. Mas, além do domínio do carro, o pior é dominar este sentimento que não me deixa ter calma. Isso me entristece, porque não uma coisa de outro mundo e, para eu conseguir dirigir melhor, eu preciso dirigir, para que eu possa vencer este medo, eu preciso dirigir e enfrentá-lo.

Hoje, quando guardei o carro na garagem, fui tomada por uma sensação de alívio e de pânico triplicado. Respirei fundo. Bebi um copo d’água e pensei: um dia já foi. 

É, ainda estou tremendo, mas um dia vou superar.

 

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2 comentários sobre “Dia 44

  1. Pingback: Dia 45 | Loucuras Intrépidas

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