Dando continuidade às publicações deste mês, com artistas e produções locais (de Divinópolis/MG), o livro deste mês não poderia ser de outra pessoa senão de Adélia Prado.

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Adélia nasceu em Divinópolis em 1935 e lançou seu primeiro livro de poesias, o Bagagem, em 1976, apesar de escrever desde cedo. Ela ainda reside na cidade e sua obra continua forte e reconhecida.

É interessante como podemos visualizar Divinópolis nas palavras de Adélia. Quem vive aqui se vê, nas linhas do trem, no apito, nas rezas e nas diversas igrejas que protegem e guardam a cidade do divino.

Do que é ser mineiro, nas ruas do bairro dos ferroviários, das coisas pequenas que fazem o dia a dia ter sentido. Nele, Adélia também fala da perda, do seu cotidiano e do que era o ser mulher naquela época.

Sobre o Bagagem, Adélia diz:

“Tudo o que escrevi até Bagagem não tem nenhum valor literário. São coisas que têm importância, para mim, afetiva, de um bom tempo da minha vida.(…) Bagagem era o que resumia, para mim, aquilo que não posso deixar ou esquecer em casa. A própria poesia”

Carlos Drummond de Andrade indicou a publicação do livro e, por conta disso, é considerado o “padrinho” da autora.

“O livro Bagagem foi lançado em 1976. O evento reuniu importantes intelectuais, como Carlos Drummond de Andrade, Clarice Lispector, Juscelino Kubitscheck e Antônio Houaiss. ” (fonte: Globo Edução)

 

Era um quintal ensombrado, murado alto de pedras.
As macieiras tinham maças temporãs, a casca vermelha
de escuríssimo vinho, o gosto caprichado das coias
fora do seu tempo desejadas.
Ao longo do muro eram talhas de barro.
Eu comia maçãs, bebia a melhor água, sabendo
que lá fora o mundo havia parado de calor.
Depois encontrei meu pai, que me fez festa
e não estava doente nem tinha morrido, por isso ria,
os lábios de novo e a cara circulados de sangue,
caçava o que fazer pra gastar sua alegria:
onde está meu formão, minha vara de pescar, cadê minha binga, meu vidro de café?
Eu sempre sonho que uma coisa gera.
nunca nada está morto.
O que não parece vivo, aduba.
O que parece estático, espera.
(do poema Leitura, página 17)

 

Saiba mais sobre Adélia Prado aqui: https://www.youtube.com/watch?v=KNgEQRWZ4XI

***

Livro: Bagagem

Autora: Adélia Prado

Editora: Record (35ªed.|2014)

 

 

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