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Maria Ribeiro

Filme: Como Nossos Pais (Laís Bodanzky)

Música: Conversa de Botas Batidas (Los Hermanos)

Conheci a Maria lá nos anos 1990, em alguma novela que eu não me lembro do nome, mas acho que era do Manoel Carlos. Pouco depois, foi noticiado que ela era casada com um ator mais velho. O que não faz a menor diferença para este texto, mas é só para explicar o que eu sabia sobre ela. Praticamente nada. Muito tempo depois, Maria caiu no meu radar por dirigir o documentário sobre a turnê de 2012 do Los Hermanos. Daí pra frente, veio o Saia Justa, o Trinta e oito e meio, o Instagram, o Twitter, a TPM, O Globo e Maria ficou na minha vida. Aí neste ano veio o Tudo o que eu sempre quis dizer, mas só consegui escrevendo. Eu teria várias coisas pra dizer para a Maria, a escritora que eu mais leio e que eu mais amo, que sempre diz algo sobre tudo, que sempre diz algo para mim, diretamente. E felizes somos nós, ou eu, por ter esta oportunidade, de acompanhar seus posicionamentos. Acho que agora a conheço um pouco mais.

Neste livro, assim como no Trinta e oito e meio, Maria passeia entre textos inéditos e outros já postados no jornal O Globo, em sua coluna semanal, e na revista TPM. A diferença é que os textos são, em sua maioria, cartas para amigos, amores, pessoas vivas ou mortas. Ídolos. Objetos. E, junto com cada texto, ela indica um filme e uma música.

Freud, Xico Sá, Camila Pitanga, Fábio Assunção, Domingos Oliveira, All Star Azul, Rio Vermelho, Tom Jobim, Eliane Giardini, entre vários outros. Ao todo, são 87 textos.

Minha relação com os textos dela são de ‘terapia’ mesmo. Eles são meus divãs e sinto isso desde quando li o primeiro livro. Eu me entrego às leituras e sempre saio diferente de quando entrei. Por enquanto, o texto que guardei com cuidado do livro de hoje foi o Superego (p.153). Nele, ela escreve para si, como se fosse uma lista de afazeres. São notas mentais, listas de coisas a serem cumpridas. Leio quando preciso refletir, quando preciso pensar na vida.

“Viajar sozinha nem que seja pra São Paulo. Ler Fogo morto e Menino de engenho e não achar chato. Assinar a Capricho e escrever à máquina. Aprender todas as letras do The Smiths e fazer uma faculdade. Ler a parte de política do jornal. Não sentir culpa. Respirar. Doar os discos e a vitrola.” (p. 153)

“Aprender a fazer feijão e biscoito amanteigado. Assistir a Game of Thrones e comer coisas cruas. Levar minha afilhada ao cinema. Chorar. Entender de árvore e passarinho. Não depender de marido. Comprar discos e vitrola.” (p. 155)

“Ter coragem.

Netos.

Três reais pro pão de queijo” (p. 156)

E assim corre. Eu o li com um risinho no canto da boca e gotas de lágrimas nos cantos dos olhos. A forma com que ela escreve me abraça e eu sinto que no mundo existem pessoas que me entendem, mesmo sem saber que entendem. Minhas sessões de terapia estão asseguradas a cada quinze dias, quando tem publicação de nova crônica n’O Globo.

“Às vezes a vida tem muita vírgula. Nem sempre a gente sabe onde tá respirando.” (p. 232)

“Ter uma causa, criar um filho, viajar, ver filmes que importam, amar, deixar o entorno mais justo, dizer palavras gentis, se conhecer, dizer não, renunciar.” (p. 233)

Ler Cem anos de Solidão e Grande Sertão: Veredas.

Não ligar para a expectativa alheia.

Fazer terapia.

Tentar ser feliz.

Obrigada, Maria.

Ah, criei uma playlist com as músicas citadas no livro lá no Spotify. ♥

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***

Livro: Tudo o que eu sempre quis dizer, mas só consegui escrevendo

Autora: Maria Ribeiro

Editora: Planeta (1ª ed./2018)

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