Sabe a tristeza, o esgotamento, a ansiedade, a falta de paciência? Pois é, vivo num ciclo vicioso desses sentimentos e vez ou outra me vejo atônita olhando para o teto e sem nenhuma reação. Ou, ao contrário, me vejo num repente de desespero em que não encontro saída nem solução para os problemas que vêm me assolando.

Mas, acredito, esse não é um problema que diz respeito apenas a mim. As pessoas no geral, cada vez mais cabisbaixas, trancadas em seus fones de ouvido (eu!) não querem, ou não conseguem, se encaixar no mundo exterior. Cada vez mais percebemos o aparecimento de perfis e canais que nos mostram como respirar, como pensar, como olhar para dentro, como agir para que tenhamos um pouco mais de ânimo. Um pouco mais de vida.

Um pouco mais de vida.

Dia desses li um texto da Milly Lacombe e nele ela discorre sobre nossa ânsia pela chegada da sexta-feira, como se ela nos oferecesse a cura para todo o mal. O que nos acontece nos outros dias? O piloto automático não me deixa lembrar as conversas que tive ontem. Sei o que pensei quando escrevo alguma coisa no Twitter, ou até aqui no blog, fora isso, se não há registro eu não me lembro. Eu sei da minha rotina e conheço bem meus afazeres, mas entre uma coisa e outra, o que há?

Ainda no texto dela, ela fala sobre essa rotina nada criativa que a vida adulta nos proporciona. Horas de trabalho para que, ao fim do mês, possamos receber o salário, pagar os boletos e continuar esperando o dia do salário do próximo mês para fazer as mesmas coisas. Essa é a minha realidade e, acredito, seja a realidade da maioria dos que me acompanham aqui.

Qual é o objetivo de nossa vida? Deveria ser viver, né? Desvendar esse mistério louco que é a vida. Mas, ao fim do dia, eu quero apenas tomar uma sopa e ir dormir.

Estamos alienados e num beco sem saída. Será? O sistema nos oprime e cada vez mais pessoas – as jovens, principalmente –, tendem a achar que o faça-você-mesmo-e-seja-feliz é a fórmula para a resolução dos problemas. E não é bem esse o caminho. Aliás, pode ser que sim, mas para uma pequena parcela da sociedade.

Cobrança externa, expectativa alheia, tudo isso dilacera quem você é, o que você pretende.

O que você pretende? Qual é o seu objetivo? Sua rotina te deixa pensar sobre isso?

“A vida já seria desafiadora sem um sistema econômico como esse a nos devorar. Existe uma enorme crueldade em sabermos que vamos morrer e não uma tirânica monstruosidade em reconhecer que a vida vive de matar e de comer outras vidas.”

Trecho do texto SEXTOU, escrito por Milly Lacombe e publicado na revista TPM em 22/6/2018. Leia o texto completo.

É, há muito que se fazer, há muito que se pensar.

Eu? Continuo sem resposta e vivendo dentro desse ciclo, vezes sem vida, vezes cheio dela, mas seguindo. Afinal de contas, o tempo não para e precisamos nos encontrar no meio dessa loucura, nem sempre com coragem.

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