Sobre conhecer seus ídolos, ou melhor, sobre não depender dos outros para realizar seus desejos, sonhos e vontades.

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Semana passada foi meu aniversário. Na semana anterior, no dia 3, havia começado a 25ª Bienal do Livro de São Paulo. Na loucura, nem dei muita atenção. Na quarta-feira vi uma publicação de uma das mesas, em que estariam presentes Maria Ribeiro, Fernanda Young e Tati Bernardi. Quem me acompanha aqui no blog, sabe que eu amo os textos da Maria. Amo tudo o que ela realiza. Mas, ainda assim, não me ocorreu de ir.

Até chegar a quinta-feira.

Quando chegou a quinta, eu percebi que havia começado a última semana dos 34, que na quarta seguinte já estaria de idade nova e comecei a pensar no que eu poderia fazer nesses últimos dias. Bem, mês de aniversário é ótimo para se ter desculpas e fazer loucuras e comprar um bando de coisas inúteis. Eu resolvi ir pra São Paulo. Ir para a Bienal. ir para assistir a mesa das 19h do dia 4, do Salão de Ideias. Ir para ver uma pessoa que é referência pra mim. Pessoa que escreve os textos que mais tem me emocionado, que fez um dos melhores vídeos que assisti nos últimos tempos sobre ter filhos, publicado no hysteria, e que fez o melhor filme de 2017.

Quando resolvi ir, perguntei para duas pessoas se elas queriam me acompanhar: irmã e marido. Ela não poderia e ele não queria. Ninguém é obrigado também, né? Alguns tentaram me desencorajar, outros me disseram pra ir, outro ficou em cima do muro da motivação, e eu já havia resolvido: iria para SP sozinha.

Na sexta-feira, dia 3, um amigo fez o favor de correr na rodoviária e comprar as passagens do ônibus, que sairia às 22h. Eu reservei o quarto do hotel e trabalhei ansiosa o dia todo. À noite, organizei todas as coisas, separei os livros da Maria e os da Tati. Pensei: “vai que elas resolvem autografar, né?”. Às 21h45 meu marido me deixou na rodoviária e parti rumo a São Paulo, uma das cidades que eu mais amo.

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Cheguei na capital paulista na manhã de sábado, às 6h. A Bienal começaria às 10h e eu poderia entrar no quarto só a partir das 9h. Então, fiquei na recepção até que o restaurante do hotel, que ficava ao lado da rodoviária (Ibis Styles ♥), abrisse para eu tomar o café da manhã.

De café tomado, voltei para a recepção, aguardando o meu check-in. Pouco tempo depois, subi para o quarto, organizei minhas coisas e parti para a Bienal. Eu poderia fazer o trajeto Ibis-Anhembi em 20 ou 30 minutos de caminhada, mas haviam ônibus gratuitos saindo do lado de fora do terminal rodoviário. Muito melhor, né?

Foram 60 minutos. Uma hora de espera pelo ônibus. Chegando ao evento, foram mais quarenta minutos para entrar. Acho que metade da população paulistana estava lá, sem brincadeira. Nesse momento deu certo desespero, calafrio, me senti perdida e bateu certo arrependimento.

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Tratei de localizar o Salão de Ideias, dei umas três voltas, passei por alguns estandes e assim que visualizei o salãozinho verde no centro do galpão, uma paz invadiu o meu coração, como diria Gilberto Gil.

Fiquei nas redondezas daquela sala, tentei visitar alguns estandes, mas tudo estava muito cheio. Passei no estande da Editora Planeta e descobri que teria sim autógrafos da Maria, mas precisaria retirar uma senha. Foi o que fiz. Fui a primeira a pegar. E eu precisaria de senha para assistir a mesa, também. Portanto, se não conseguisse entrar no Salão às 19h, já conseguiria pelo menos o autógrafo, estaria perto. Seria extraordinário.

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Assisti ao longo daquela tarde várias mesas interessantes, como a de Literatura brasileira contemporânea – com a participação de Paula Fábrio, Marcelo Moutinho, Bernardo Ajzenberg, Flávio Izhaki e Luisa Geisler –, A crônica, – com Antônio Prata e Miriam Leitão –, Grandes reportagens sobre tragédias recentes – com Rafael Henzel, Daniela Arbex e Rogério Pagnan –, e, para finalizar, a que eu aguardei o dia todo: Feminino e masculino, com a Tati Bernardi, Fernanda Young e Maria Ribeiro.

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5No fim das contas, consegui a senha de acesso ao salão. Antes, na fila, conheci duas meninas com as quais eu conversava apenas pelas redes sociais (Giu e Sami ♥). Elas também gostam muito do trabalho da Maria. Foi ótimo! Nós três ficamos juntas, sentamos na primeira fila e, como a Maria já as conhecia, sentou em nossa frente. E assim começou a melhor mesa do dia. Pena que a uma hora de duração do evento passou tão rápida.

Em seguida, para encerrar a noite, corri para o autógrafo. Ganhei abraço, assinatura e um feliz aniversário adiantado. Fui feliz naquele sábado, que começou caótico, mas acabou como planejei. Minha admiração por ela aumentou, dada a simplicidade e do quão foda ela é. Não sei como me expressar. Ela é a pessoa que é, sem medo, ou melhor, sem medo de demostrar as falhas.

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Também corri na Companhia das Letras e consegui um autógrafo da Tati, que comecei a ler há pouco tempo, mas já me identifiquei com vários trechos de sua escrita. Ainda deu tempo de voltar para o estande da Editora Planeta e passar os últimos momentos com minhas amigas virtuais –  agora não tão virtuais assim – e próxima da Maria. Ao fim da fila dos autógrafos, ela cumprimentou as duas e quem estava ali nas proximidades. Deu tempo de mais um abraço. Me despedi e fui embora.

Às 21h30, mais ou menos, retornei ao hotel em estado de êxtase. Há muito tempo eu não me sentia tão eufórica. Acho que a última vez que me senti assim foi no show do Los Hermanos, em 2015. Eles também foram os responsáveis por colocar a Maria no meu radar, já que ela dirigiu o documentário sobre a banda, acompanhando os quatro na turnê de 2012.

Com certeza, este foi o melhor presente que eu  já me dei de aniversário. E o melhor, sem depender de ninguém, dependendo apenas da minha vontade. São Paulo não me assusta. Acho que minhas vontades me assustam mais. Mas agora, na real, sinto que posso ir além.

Dormi feliz! Acordei ainda em êxtase e às 12h15 de domingo, dia 5 de agosto, entrei no ônibus e voltei pra casa. Faltavam três dias para o ano novo, mas não faltavam convicções de que a realização das minhas vontades, dependia apenas de mim.

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