a sutil arte 2

No feriado de sete de setembro, decidi fazer uma experiência: ficaria os três dias – sexta, sábado e domingo – sem internet. E foi o que fiz. Na quinta à noite desabilitei o wi-fi e os dados do telefone e fui viver minha vida. Posso dizer pra você que foi uma das melhores experiência dos últimos dias, porque toda a ansiedade gerada pelas notificações de e-mails e redes sociais cessaram. Consegui, sem distrações, organizar melhor meu tempo e, por consequência, fazer algumas coisas que estavam pendentes, como ler o livro de hoje.

Foram poucas as vezes em que eu consegui me dedicar, num curto espaço de tempo, à leitura de livros inteiros. Se o livro é muito bom, com o tempo disponível que tenho durante a semana eu consigo lê-lo, talvez, em quatro ou sete dias. Apenas uma vez li um livro em um dia. Então, fiquei satisfeita em começar e finalizar uma leitura dentro deste período, sem estresse.

Os benefícios da internet e das redes sociais são, incontestavelmente, fantásticos. Este é o melhor momento da história para se viver, por diversas razões, mas talvez tais tecnologias estejam gerando efeitos colaterais inesperados na sociedade. Talvez as mesmas tecnologias que libertaram e instruíram tanta gente estejam inflando a importância que damos a nós mesmos. (p.66)

A sutil arte de ligar o foda-se é sim um livro de autoajuda, logo, não é um livro denso. Ele tem pouco mais de duzentas páginas, o que me ajudou bastante. Em seu texto, o autor Mark Manson mistura relatos pessoais, com algumas citações e ficções para falar sobre a importância da negatividade em nossas vidas. De acordo com ele, grande parte dos livros desse gênero tendem a nos apresentar a positividade e o lado bom das coisas como forma de melhora de vida e conquista dos objetivos. Mas, para Manson, perceber que a negatividade também é uma forma de transformação pode ser o maior trunfo.

Afinal de contas, o único jeito de superar a dor é aprender a suportá-la. (p.30)

Eu achei esse recorte interessante e por isso resolvi ler o livro. Sinceramente, às vezes é bem chato precisar buscar o lado bom de todas as coisas. Às vezes, o copo está meio vazio mesmo.

Ironicamente, essa fixação no positivo, no que é melhor ou superior, só serve como um lembrete do que não somos, do que nos falta, do que já deveríamos ter conquistado mas não conseguimos. Afinal de contas, nenhuma pessoa realmente feliz sente necessidade de ficar falando que é feliz para si mesma no espelho. (p.12)

Entender que o caminho para alcançar os objetivos estará lotado de percalços, pode tirar das costas certo peso de derrota. Quando os pais incentivam os filhos dizendo que eles podem conquistar o mundo, mas não os contam que para esta conquista eles encontrarão muitos nãos e humilhações, a pessoa tende a se frustrar e talvez até a desistir do que sempre almejou – ou pensou almejar –, procurando um caminho mais fácil para sua realização, tornando-a vazia.

Eu não concordei cem por cento com tudo que li no livro, mas achei interessante saber que o que eu penso, muitas vezes, como a chatice da supervalorização do positivo, não é um ponto de vista errôneo. Às vezes eu preciso viver o luto, independente do motivo. Está aí um ponto positivo.

Negar sentimentos negativos só os aprofunda e prolonga, levando a problemas emocionais sérios. Positividade constante é uma forma de fuga, não uma solução válida para os problemas da vida (…). (p. 93)

Outra coisa interessante é sobre nossas escolhas e com o que nos preocupamos. Pode ser que o problema seja gastar energia em coisas que nem sempre são o que realmente queremos. Certas vezes gastamos tempo tentando cumprir com as expectativas de outras pessoas.

Os valores são a base de tudo o que somos e fazemos. Se o que valorizamos é inútil, se o que escolhemos considerar sucesso ou fracasso é equivocado, qualquer coisa baseada nesses valores – pensamentos, emoções, sentimentos cotidianos – será equivocada também. No final das contas, tudo que pensamos e sentimos sobre uma situação se resume ao valor que damos a ela. (p. 81)

Então é o seguinte: não precisamos ser extraordinários o tempo todo. Precisamos nos perguntar, sempre, se o que fazemos e buscamos é para nós, para nosso bem estar ou para a felicidade e bem estar de outras pessoas: Nossos valores são nossos? Nossos sonhos são nossos?

Somos definidos pelo que escolhemos rejeitar. E se não rejeitamos nada (talvez por medo de nos rejeitarem), não temos identidade. (p. 182)

Bom, é isso, diga não às vezes. E permita-se ser infeliz quando a ocasião pedir. Não há problema nisso. O importante é entender o motivo e caso não saiba, procure ajuda. Mas lembre-se: você não precisa ser perfeito.

a sutil arte

***

Livro: A sutil arte de ligar o foda-se

Autor: Mark Manson

Editora: Intrínseca

Ano de lançamento: 2017

 

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