Hoje é uma sexta-feira. São dez e quarenta sete da manhã e daqui a pouco irei trabalhar. Hoje é dia de trabalho externo, iremos viajar. E sair da rotina do trabalho às vezes é bom, porque saímos da zona de conforto, mas é bem cansativo também.

Enfim, nesta manhã tranquila e sozinha em casa, resolvi observar. O clima, minha horta – que cresceu de maneira exorbitante por conta das chuvas –, meu corpo, meu cabelo, minhas unhas pintadas, minhas plantas, o céu – ainda cinza -, o vento, a nova série que assisto na Netflix, as palavras, meus pensamentos.

De repente me deu certa vontade de escrever.

Mas sobre o quê? Sobre as tragédias que pairaram sobre o Brasil? Sobre tantas mortes inocentes e cedo demais? Sobre o sofrimento alheio, sobre o nosso (meu) sofrimento?

Sei que cada pessoa tem um caminho a percorrer e uma história para viver. Mas alguns, ao que parece, partem antes do esperado. O que é no mínimo estranho. Quando se é esperada a morte? Na velhice? Depois de uma doença grave? De um acidente? Depois de algum erro? Quem escreve as rotas?

É ruim pensar nisso, mas ao mesmo tempo é o que nos assusta.

Quero falar sobre pequenas transformações.

Tenho tentado lidar com minhas limitações. Do meu corpo, sobretudo. Tenho tentado entender qual é o meu caminho, qual é o meu trajeto e qual será minha história. Qual é a minha história.

Meu grande problema, talvez, seja sonhar demais (ou querer o impossível). Meu caminho tem sido igual e diferente de tantos. E em certos momentos sinto vergonha das lágrimas que vez ou outra chegam.

A certeza que tenho é de que preciso enfrentar medos e (in)certezas. Mais os medos. Parar de pensar em como será a reação das pessoas, isso é besteira, burrice e só me traz sofrimento e eleva minha ansiedade à milésima potência.

Pode ser que comigo seja diferente.

Pode ser que o meu percurso seja diferente. O que é, de fato, já que eu sou única.

Preciso parar de fazer projeções.

Preciso viver um dia de cada vez.

No fim das contas acho que foi só vontade de esvaziar a mente mesmo.

Talvez tenha mentido no título, me desculpe por isso.

Hoje é mais um dia.

Só mais um.

Agora são dez e cinquenta e nove.

Preciso me arrumar.

 

(quinze de fevereiro de dois mil e dezenove)

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