“O sofrimento emocional é muito intenso.

Nele, o doente toma consciência de sua mortalidade.

E essa consciência o leva à busca do sentido de sua existência”

A morte é ainda um grande tabu, apesar do clichê de ser a única certeza que temos. Muitas pessoas deixam para pensar na vida quando a morte é anunciada, quando uma doença grave acomete a ela ou a alguém próximo. Em seu livro A morte é um dia que vale a pena viver, a médica geriatra, de cuidados paliativos, Ana Claudia Quintana Arantes fala não apenas do partir, mas do que não fazemos ao longo da vida. De acordo com ela, essa falta de aproveitamento é o que muitas vezes causa sofrimento no momento próximo a morte.

A autora fala do tempo, da finitude, da angústia, do sofrimento, do amor, da morte e, claro, da vida.

“O sofrimento, porém, é algo absoluto, único. Totalmente individual. Podemos ver doenças se repetirem no  no nosso dia a dia como profissionais de saúde mas o sofrimento nunca se repete. Mesmo que o tratamento ofereça alívio para a dor, a experiência da dor passa por mecanismos próprios de expressão, percepção e comportamento. Cada dor é única. Cada ser humano é único.” (p. 42)

Não há muito o que se escrever sobre, ou melhor, há. Mas nada do que eu disser irá substituir as palavras de uma pessoa que decidiu trabalhar com a morte e decidiu lidar com pessoas que estão no fim da vida. Esta leitura é uma experiência única.

“O que separa o nascimento da morte é o tempo. A vida é o que fazemos dentro desse tempo; é a nossa experiência. Quando passamos a vida esperando pelo fim do dia, pelo fim da semana, pelas férias, pelo fim do ano, pela aposentadoria, estamos torcendo para que o dia da nossa morte se aproxime mais rápido. Dizemos que depois do trabalho vamos viver, mas esquecemos que a opção “vida” não é um botão “on/off” que a gente liga e desliga conforme o clima ou o prazer de viver. Com ou sem prazer, estamos vivos 100% do tempo. O tempo corre em ritmo constante. A vida acontece todo dia, e poucas vezes as pessoas parecem se dar conta disso” (p. 70).

Para conhecer mais a autora, veja o TED, de 2013, que deu origem ao livro. E veja também a entrevista que ela concedeu a Jout Jout no início deste ano, no vídeo A única certeza.

a morte para post

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Livro: A morte é um dia que vale a pena viver

Autora: Ana Claudia Quintana Arantes

Editora: Sextante (2ª edição/ 2019)

 

 

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