Livro do mês: A hora da estrela

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Que livro bom.

Que livro impactante.

Que livro triste.

Eu havia programado a leitura d’A Hora da estrela para o ano que vem, mas resolvi antecipar a leitura, porque o livro é bem curtinho – são apenas 87 páginas – e, por isso,  flui muito bem. Foi o primeiro livro que li da Clarice Lispector e me arrependi de não ter lido antes.

Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevi o que estou escrevendo. (p. 11)

Trata-se da história de Macabéa, uma retirante nordestina que muda-se para o Rio de Janeiro após a morte de uma tia, única referência de família que ela conhecia.

O livro é narrado por Rodrigo S.M., que acompanha a vida quase vazia e invisível de Macabéa, que trabalha como datilógrafa, gosta de ouvir programas de Rádio e acredita que tudo o que acontece com ela, sejam coisas boas ou ruins, são por conta de sua sina, escrita por Deus.

Só vagamente tomava conhecimento da espécie de ausência que tinha de si mesma. Se fosse criatura que se exprimisse diria: o mundo é fora de mim, eu sou fora de mim. (p.24) 

É, de certa forma, um livro metalinguístico, que mostra a aflição do escritor diante da obrigação da escrita, da criação de histórias, do cuidado e da preocupação gerados por um, até então, desconhecido personagem.

Quanto a mim, autor de uma vida, me dou mal com a repetição: a rotina me afasta de minhas possíveis novidades. (p.41)

Abre parêntese. Quando estava na faculdade de Jornalismo, numa das aulas de Jornalismo Literário – acho que era este mesmo o nome da disciplina – o professor havia nos passado uma atividade, que era de fazer um texto sobre uma coisa qualquer. Eu não conseguia ter inspiração em nada para escrever. O único insight que consegui foi o de escrever sobre a angústia da escrita. Sobre a angústia da folha em branco. Foi um dos textos mais legais que consegui escrever – e que infelizmente está perdido – e o li em sala, assim como todos os demais estudantes. Ao fim da leitura o professor, sorrindo, me disse que meu tipo de escrita estava parecido com o de Clarice Lispector. Me senti feliz, mesmo sem entender, já que ~vergonha gritante~ ainda não a conhecia. Hoje, quase dez após ter finalizado minha graduação, ao terminar a leitura de A hora da estrela sabia que ele estava se referindo a este texto. Me senti feliz. Fecha parêntese.

Eu sou sozinha no mundo e não acredito em ninguém, todos mentem, às vezes até na hora do amor, eu não acho que um ser fale com o outro, a verdade só me vem quando estou sozinha. (p. 69)

Não vou contar muito da história, porque, acredito, este livro precisa ser sentido. E cada um terá uma compreensão. Ao fim da leitura eu me surpreendi, de certa forma, e fiquei triste, principalmente por este ter sido o último livro lançado por Clarice. Aliás, ele foi lançado após a morte da escritora, o que me deixou ainda mais intrigada com o tipo de narrativa escolhida por ela.

Estou absolutamente cansado de literatura; só a mudez me faz companhia. (p.70)

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Livro: A hora da estrela

Autora: Clarice Lispector

Editora: Rocco (1ª ed./1977)

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Livro do mês: Extraordinário

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O adjetivo que dá nome ao livro já seria suficiente para descrevê-lo.

Extraordinário, o primeiro livro da escritora R.J Palacio é sim extraordinário e nos mostra como uma vida pode afetar a vida de tantas outras, de maneiras diferentes.

August, ou Auggie, está prestes a começar a frequentar a escola pela primeira vez. Seria normal se ele não tivesse dez anos de idade. A demora em colocá-lo na escola foi por conta de uma deformidade que o menino tem no rosto. Assim que nascera, os pais perceberam que Auggie seria diferente das outras crianças e, por isso, preferiram protegê-lo, ao ensiná-lo em casa as disciplinas que a maioria aprende na escola.

Mas, o momento em que o livro se inicia é justamente este, de dar esta notícia, e August, cansado de perceber o que causava nas pessoas, não quis. Estava com medo.

Mas a família consegue convencê-lo e, mesmo com medo e receio, ele vai.

Começa aí, então, uma jornada em que August terá de enfrentar não apenas os seus medos e inseguranças, mas os dos outros também.

A forma de narrativa deste livro é deliciosa, por isso a leitura flui muito bem. Os capítulos são curtos e as histórias são contadas por diferentes pontos de vista. Além de August, também narram a história Via, sua irmã; Summer, sua primeira amiga; Jack, também um de seus primeiros amigos na escola; Justin, o namorado de Via; e Miranda, uma amiga da família, que vê no August um irmão.

É um livro emocionante, que mostra como as crianças podem ser más, mas as vezes até mesmo sem saber ou por sofrerem influência direta de seus pais.

É um livro lotado de referências à cultura pop, com trechos de músicas, falas de filmes, fantasias.

August consegue impor sua presença do seu jeito e aos poucos vai conquistando o respeito e o apoio dos estudantes da escola, principalmente após um acontecimento que muda definitivamente a relação dele com as demais crianças da escola.

É uma linda jornada. E August me fez pensar inúmeras vezes como somos maldosos enquanto estamos em grupo, mesmo não querendo. É o grande problema da “aceitação social”.

Este é o tipo de livro que precisa ser lido por todos os membros de uma família. Deveria ser lido nas escolas, os pais deveriam lê-lo aos filhos à noite.

Trata-se, no fim das contas, da gentileza que nos falta tantas vezes. O estar no lugar do outro. A empatia.

A gentileza também precisa ser ensinada e, acredito, a lição é aprendida por todos que passaram neste primeiro ano com August. Inclusive nós, meros leitores.

O livro ganhou adaptação cinematográfica e será lançado em novembro deste ano. O filme foi escrito e dirigido por Stephen Chbosky (que também dirigiu As vantagens de ser invisível ) e tem em seu elenco Julia RobertsOwen WilsonJacob TremblaySonia Braga.

Wonder é o título original deste best-seller, que não é apenas maravilhoso, é extraordinário.

E, para finalizar esta indicação, vos escrevo o melhor preceito que poderia ter após o encerramento desta leitura: Sejamos melhores aos outros. Isso nos fará bem!

Boa leitura!

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Livro: Extraordinário (Wonder)

Autora: R.J. Palacio

Tradutora: Rachel Agavino

Editora: Intrínseca (1ª ed./2012 | Brasil: 2013)

Livro: Trinta e Oito e Meio

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Trinta e oito e meio é o primeiro livro de Maria Ribeiro, e esta não é a primeira vez que falo dele por aqui.

Há pouco tempo sofri uma crise horrível. Acredito que este tipo de coisa deva acontecer com muitas pessoas. Mas, fiquei meio sem chão, meio sem vontade de fazer inúmeras coisas e apelidei este período de “inferno astral” por se tratar de um ínterim pré-aniversário. No meio do inferno eu me deparei com muitos pensamentos ruins, muita falta de vontade e motivação. Num dado momento percebi que precisava sair do lugar e, entre muitas reflexões, sentada no sofá da sala, olhando fixamente para a estante vi o 38e1/2 lá. E comecei a lê-lo novamente. E os textos abriram minha cabeça para várias coisas. E o livro me ajudou mais uma vez.

Clarice Lispector dizia que, se o mundo fosse justo, as mulheres teriam direito a três vidas: uma para se dedicarem ao amor, outra à profissão e, uma última, à maternidade. Eu incluiria ainda uma existência inteira pra ir ao cinema e outra para conhecer o mundo(…) (p. 35)

Não sei porque digo mais uma vez porque não me lembro se estava em crise quando o li pela primeira vez, mas eu sei que os textos dessa vez me fizeram refletir de uma forma diferente. Chorei lendo vários, me peguei rindo em outros, de outros eu nem me lembrava. Mas, uma coisa é certa: as crônicas escritas pela Maria Ribeiro, depois que entram em nossa vida, não devem sair nunca mais. Qualquer texto escrito por ela.

Este primeiro livro foi um compilado de textos publicados em revistas, como a TPM. Já li e reli todos os que encontrei por lá. Continuo a acompanhando quinzenalmente em sua coluna do jornal O Globo. E como são boas.

Eu não me orgulho do que vou dizer, mas não gosto do verão. Pior: eu temo o verão. E me sinto humilhada por ele, como se não estivesse à altura de sua leveza e descompromisso e tivesse que ser feliz num volume que não sou capaz.” (p. 91)

Enfim, voltando ao 38, é um livro em que Maria expõe sua vida sem medo, com uma narrativa deliciosa e, por meio destas coisas que conhecemos como palavras, ela fala de filhos, casamento, divórcio, separação dos pais, amizade e tem até pedido de perdão. Ah, sim, e tem Los Hermanos. Como se não bastasse, Maria Ribeiro também dirigiu um documentário sobre os quatro barbudos que mais amo na vida. Como não amar essa pessoa? Ah, sim. Além de escritora ela é atriz (louca pra assistir Como Nossos Pais) e diretora.

Eu fui tão amparada pelos Hermanos que quis fazer um filme, como se ingenuamente quisesse congelar todos os ideais românticos que fui abandonando pela estrada.

Talvez o apego aos grupos de nossa juventude represente um sentimento abstrato que ao passar dos anos vai roubando de cada um de nós: a possibilidade de ser tudo e fazer tudo, a vida inteira pela frente, o mistério do porvir.” (p. 105)

Por tudo isso, foi quase uma catarse ler este livro às vésperas de completar os trinta e quatro. E o assunto de idade tem sido recorrente aqui no blog, mas não é obsessão é tentativa de entendimento.

Hoje, aos 34, longe da angústia dos 20 e já sabendo CPF e identidade de cor, minha ambição é abrir espaço no HD, numa espécie de movimento anti-MST do que dos meus pais e irmãos  permanece em mim mesmo com prazo de validade vencido. Eu sem eles.” (p. 19)

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Quero ter coragem de deixar pra trás a juventude, e abrir de vez caminho para a maturidade, embora saiba que enquanto meus pais forem vivos continuarei um pouco criança (…) Quero filmar todos os dias que vivi e que não voltam mais. Quero filmar tudo.” (p.139)

Trinta e oito e meio me tirou do limbo dos maus pensamentos e me pôs num lugar confortável. Trinta e oito e meio é parte integrante e irremovível da minha cabeceira e está em meu kit de sobrevivência também, assim como os filmes da laís, los hermanos, pão de queijo quente e café fresco (ou um suco de limão gelado).

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Livro: Trinta e oito e meio

Autora: Maria Ribeiro

Editora: Língua Geral (1ª ed./2014)

Livro: Eu me chamo Antônio

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Eu o conheci por meio da indicação de um amigo e gostei muito do trabalho desenvolvido por ele, apesar de as vezes parecer ilegível. Primeiro foi o tumblr e depois o livro, o que eu adorei.

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O autor, Pedro Gabriel, é africano, filho de pai suíço e mãe brasileira. Se mudou para o Brasil com 12 anos e sempre gostou de brincar com nossa língua. Por isso comçou a fazer rabiscos em guardanapos, o que se tornou, mais tarde, a sua marca registrada.

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Livro: Eu me chamo Antônio 

Autor: Pedro Gabriel

Editora: Intrínseca (2013)

Livro: Um Cartão

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Conheci o perfil do Pedro por um acaso no instagram. Muito provavelmente porque alguém deve ter compartilhado alguma frase e eu curti. Daí pra frente, continuei seguindo e admirando as artes. Quando o livro saiu, não tive dúvida.

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Ele é todo bonitinho e o mais legal é que as páginas podem ser destacadas e transformadas em quadros.

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Livro: Um Cartão 

Autor: Pedro

Editora: Rocco – Selo Fábrica231 (2015)

Livro: Desenhos Invisíveis

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Troche é um dos artistas que eu mais gosto. Eu o conheci por um acaso quando o meu blog ainda era .blogspot, porque o blog dele é ainda no blogspot e, enfim, me apaixonei pelos desenhos e pela sensibilidade de seus traços. E o Troche é tão legal, que eu cheguei a trocar uns e-mails com ele, ele me contou, lá em 2010, sei lá, que havia feito alguns desenhos para algumas revistas do Brasil (ah sim, foi mal. O Troche é um uruguaio radicado na Argentina), como a revista Bravo!.

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Em 2014 a editora Lote 42 fez um crowdfund para lançar o livro Desenhos Invisíveis no Brasil. É claro que eu a participei e recebi este livro lindão, com um desenho exclusivo e vários marcadores bonitões também.

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meu desenho e minha dedicatória ❤

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Livro: Desenhos Invisíveis (Dibujos Invisibles)

Autor: Gervasio Troche

Editora: Lote 42 (1ª ed. 2014)

Livro: A metamorfose

Eu já conhecia a obra de Franz Kafka, mas foi na faculdade de Jornalismo que eu pude conhecê-la melhor. O texto, que teve sua primeira edição lançada em 1915. Numa das minhas buscas por livros, lá em 2010 ou até antes, eu consegui encontrar esta edição que, na minha opinião é das mais bonitinhas:

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Trata-se de uma adaptação feita pelo artista gráfico e cartunista norte-americano Peter Kuper.

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O livro é muito bonito, que conseguiu dar novo fôlego aos problemas existências e a trágica transformação de Gregor em inseto e de como esta transformação mudou sua forma de se relacionar com sua família.

Ótimo para que gosta de Kafka. Ótimo para quem gosta de design e histórias em quadrinho.

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Livro: A metamorfose (Adaptação)

 Autor: Peter Kuper

Tradutora: Cris Siqueira

Editora:  Conrad (2010)

 

 

 

Livro do mês: O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares

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Confesso que decidi ler o livro assim que começaram a sair as primeiras imagens do filme, dirigido por Tim Burton. Não queria ser parcial e ter apenas a impressão de Burton e, sinceramente, me veio um certo medo de que poderia não gostar da história tendo apenas esta impressão. Já que, Tim Burton, pode ser considerado um diretor peculiar e, por mais que tenha criado filmes realmente muito bons, suas adaptações dividem opiniões. Eu, por exemplo, não gostei de Alice e nem me atrevi a assistir ao segundo, que foi produzido por ele.

Enfim, aqui estou para falar do livro de Ransom Riggs que, assim que coloquei meus olhos em suas páginas, já me deixou intrigada pelas imagens ali postadas. Ao fim, descobri que as fotografias impressas nas páginas do livro eram reais e que poucas foram manipuladas. Isso me fez querer lê-lo ainda mais o que, logo nas primeiras páginas, me deixou frustrada.

O livro conta a história de Jacob, um jovem muito apegado ao avô, que sempre lhe conta histórias de sua juventude na época que vivia em um orfanato lotado de crianças peculiares. Por isso, após a trágica morte do avô, Jacob parte, com seu pai, para o País de Gales, onde, de acordo com registros e cartas encontradas no em meio aos pertences de seu avô, se localizava o orfanato.

O grande problema deste livro é que ele demora a engrenar. A história começa a ficar interessante após as 100 primeiras páginas e, mesmo assim, há momentos em que quase desisti da leitura, ou fui lendo em blocos para que rendesse um pouco mais.

Mas, de toda forma, do meio o para o fim o livro consegue prender a atenção e aí sim a leitura flui e fica tão interessante a ponto de me deixar curiosa para ler o próximo volume: Cidade dos etéreos.

No mais, é um bom livro para quem gosta de fantasia, ficção científica e fotografia.

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Livro: O orfanato da srta. Peregrine para crianças peculiares (Miss Peregrine’s Home for Peculiar Children – 1ª ed. 2011)

Autor: Ransom Riggs

Tradutores: Edmundo Barreiros e Marcia Blasques

Editora:  Leya (4ª ed. 2012)

O livro do mês: Fim

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Demorei para terminar de ler este livro. Não sei qual o motivo, tento pensar em desculpas, mas não sei. Talvez tenha sido preguiça mesmo.

Adquiri este livro assim que foi lançado, em 2013, logo após ler o primeiro capítulo em algum portal de notícias. Mas, na correria do dia a dia, acabei demorando demais e passando outras leituras na frente. Quando retornei às suas páginas, em abril deste ano, me arrependi amargamente, mas também fiquei feliz por estar conhecendo aquelas palavras neste momento. Talvez seja o correto, faz mais sentido. Me surpreendi.

Surpreendi porque era uma mulher, falando do universo masculino e do machismo que habita este universo de maneira tão natural. Das histórias, erros acertos, amores e morte de cinco amigos.

Álvaro, Sílvio, Ribeiro, Neto e Ciro são os personagens desta história. Todos eles vivem no Rio de Janeiro, e o momento de luz, para todos eles, na narrativa de Fernanda Torres, começa no momento da morte. É isso. O livro fala do fim, da morte e de como o peso deste momento pode refletir em arrependimentos ou certezas.

Além da história desses amigos, o livro narra a vida das pessoas que passaram pelo cotidiano de cada um: esposas, filhos, amantes, casos, acasos e a morte, o que mais me surpreendeu.

Para além dos estereótipos do que compõe um grupo masculino, a história conta como escolhas erradas afetam não apenas a vida de cada um deles, mas a do grupo. E como isso influencia na felicidade, tristeza, amores e arrependimentos.

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Livro: Fim

Autor: Fernanda Torres

Editora: Companhia das Letras (2013)

Filme X Livro: A Cabana

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Há mais ou menos dois anos li o livro e gostei muito, achei a história de William P. Young muito forte. A ficção conta a história de Mackenzie, um homem casado e pai de três filhos que se vê envolto em uma tragédia, após o desaparecimento de sua filha mais nova.

Este é um tipo de leitura para pessoas que creem em Deus, ou que não vêem problema naqueles que acreditam. Porque é um livro que fala sobre isso: sobre ter fé, acreditar e perdoar. Mas, para além disso, na minha opinião, A Cabana fala mais do homem, e de seus medos e rancores, do que do próprio Deus.

O livro é interessante porque apresenta as figuras bíblicas de uma forma mais ‘humana’. Não sei bem como explicar isso, mas é quase um desenho do catecismo,  mesmo sem focar em religiões.

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Enfim, à época de sua leitura, o livro me fez muito bem e logo que o terminei fiquei aguardando sua adaptação cinematográfica, que chegou aos cinemas no último dia 7 de abril.

Na sexta-feira santa, dia propício para filmes com a temática que envolva Deus, acredito eu, meu marido e eu resolvemos ir ao cinema. E foi uma das melhores escolhas que fizemos para a sexta-feira da paixão.

O filme conseguiu extrair os principais acontecimentos de uma forma muito leve, mesmo sendo duro muitas vezes. Por isso que disse, e repito, é um livro/filme para quem tem fé e não tem problemas com isso. Mas não é um discurso tão chato ou até mesmo massivo como outros filmes ‘religiosos’ costumam pregar. Não é uma pregação, ao contrário disso, é um reflexão.

Uma reflexão sobre nossa vida e nossas ações. Uma reflexão sobre nossos julgamentos. Uma reflexão, muito dura as vezes, sobre o perdão. Perdoar os outros, e a si mesmo, talvez seja a parte mais difícil.

Geralmente, quando ocorre adaptação de livros para o cinema, os leitores mais assíduos gritam aos sete ventos como o livro é melhor e como os roteiristas e diretores pecaram em não conseguir extrair tudo que o livro oferecia.

Penso que, neste caso, aconteceu o oposto, e o melhor: foi extraído sim tudo o que de melhor o livro apresentou. Portanto, vale a pena a leitura e vale a pena assistir ao filme também.

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Livro: A Cabana

Autor: William P. Young

Tradução: Fernando Dias Antunes

Editora: Arqueiro

Ano de lançamento: 2007

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Filme: A Cabana (The Shack)

Diretor: Stuart Hazeldine

Ano de lançamento: 2017