Livro: Trinta e Oito e Meio

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Trinta e oito e meio é o primeiro livro de Maria Ribeiro, e esta não é a primeira vez que falo dele por aqui.

Há pouco tempo sofri uma crise horrível. Acredito que este tipo de coisa deva acontecer com muitas pessoas. Mas, fiquei meio sem chão, meio sem vontade de fazer inúmeras coisas e apelidei este período de “inferno astral” por se tratar de um interim pré-aniversário. No meio do inferno eu me deparei com muitos pensamentos ruins, muita falta de vontade e motivação. Num dado momento percebi que precisava sair do lugar e, entre muitas reflexões, sentada no sofá da sala, olhando fixamente para a estante vi o 38e1/2 lá. E comecei a lê-lo novamente. E os textos abriram minha cabeça para várias coisas. E o livro me ajudou mais uma vez.

Clarice Lispector dizia que, se o mundo fosse justo, as mulheres teriam direito a três vidas: uma para se dedicarem ao amor, outra à profissão e, uma última, à maternidade. Eu incluiria ainda uma existência inteira pra ir ao cinema e outra para conhecer o mundo(…) (p. 35)

Não sei porque digo mais uma vez porque não me lembro se estava em crise quando o li pela primeira vez, mas eu sei que os textos dessa vez me fizeram refletir de uma forma diferente. Chorei lendo vários, me peguei rindo em outros, de outros eu nem me lembrava. Mas, uma coisa é certa: as crônicas escritas pela Maria Ribeiro, depois que entram em nossa vida, não devem sair nunca mais. Qualquer texto escrito por ela.

Este primeiro livro foi um compilado de textos publicados em revistas, como a TPM. Já li e reli todos os que encontrei por lá. Continuo a acompanhando quinzenalmente em sua coluna do jornal O Globo. E como são boas.

Eu não me orgulho do que vou dizer, mas não gosto do verão. Pior: eu temo o verão. E me sinto humilhada por ele, como se não estivesse à altura de sua leveza e descompromisso e tivesse que ser feliz num volume que não sou capaz.” (p. 91)

Enfim, voltando ao 38, é um livro em que Maria expõe sua vida sem medo, com uma narrativa deliciosa e, por meio destas coisas que conhecemos como palavras, ela fala de filhos, casamento, divórcio, separação dos pais, amizade e tem até pedido de perdão. Ah, sim, e tem Los Hermanos. Como se não bastasse, Maria Ribeiro também dirigiu um documentário sobre os quatro barbudos que mais amo na vida. Como não amar essa pessoa? Ah, sim. Além de escritora ela é atriz (louca pra assistir Como Nossos Pais) e diretora.

Eu fui tão amparada pelos Hermanos que quis fazer um filme, como se ingenuamente quisesse congelar todos os ideais românticos que fui abandonando pela estrada.

Talvez o apego aos grupos de nossa juventude represente um sentimento abstrato que ao passar dos anos vai roubando de cada um de nós: a possibilidade de ser tudo e fazer tudo, a vida inteira pela frente, o mistério do porvir.” (p. 105)

Por tudo isso, foi quase uma catarse ler este livro às vésperas de completar os trinta e quatro. E o assunto de idade tem sido recorrente aqui no blog, mas não é obsessão é tentativa de entendimento.

Hoje, aos 34, longe da angústia dos 20 e já sabendo CPF e identidade de cor, minha ambição é abrir espaço no HD, numa espécie de movimento anti-MST do que dos meus pais e irmãos  permanece em mim mesmo com prazo de validade vencido. Eu sem eles.” (p. 19)

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Quero ter coragem de deixar pra trás a juventude, e abrir de vez caminho para a maturidade, embora saiba que enquanto meus pais forem vivos continuarei um pouco criança (…) Quero filmar todos os dias que vivi e que não voltam mais. Quero filmar tudo.” (p.139)

Trinta e oito e meio me tirou do limbo dos maus pensamentos e me pôs num lugar confortável. Trinta e oito e meio é parte integrante e irremovível da minha cabeceira e está em meu kit de sobrevivência também, assim como os filmes da laís, los hermanos, pão de queijo quente e café fresco (ou um suco de limão gelado).

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Livro: Trinta e oito e meio

Autora: Maria Ribeiro

Editora: Língua Geral (1ª ed./2014)

Livro do mês: A revolução dos bichos

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A Revolução dos bichos é um livro de George Orwell, publicado originalmente em 1945. O livro foi rejeitado por inúmera editoras, pois os editores o viam como uma sátira ao stalinismo, o governo ditador e autoritário da antiga União Soviética, comandada por Josef Stalin.

Trata-se de um grupo de animais, que viviam na Granja do Solar, cujo dono era o senhor Jones. Pouco antes de morrer, Major, um dos porcos mais velhos da granja, convoca uma assembleia entre todos os animais que ali viviam e, logo ao início, Major lhes explica o motivo da reunião, que ocorria já em noite avançada no celeiro da granja:

Então, camaradas, qual é a natureza desta nossa vida? Enfrentemos a realidade: nossa vida é miserável, trabalhosa e curta. Nascemos, recebemos o mínimo alimento necessário para continuar respirando, e os que podem trabalhar são exigidos até a última parcela de suas forças; no instante em que nossa utilidade acaba, trucidam-nos com hedionda crueldade” (p.12)

Com esta fala, o velho Major, inicia a movimentação dos animais da futura “Granja dos Bichos”.

Para Major, com quem todos os bichos concordaram, o principal inimigo era o homem. Era o homem que tomava todas as decisões referentes à vida dos bichos, os alimentos e o trabalho. E, conforme disse:

O Homem é a única criatura que consome sem produzir. Não dá leite, não põe ovos, é fraco demais para puxar o arado, não corre o que dê para pegar uma lebre. Mesmo assim, é o senhor de todos os animais” (p.12)

O Homem não busca interesses que não os dele próprio. Que haja entre nós, animais, uma perfeita unidade, uma perfeita camaradagem na luta. Todos os homens são inimigos, todos os animais são camaradas.” (p. 14)

A assembleia dos bichos ainda durou um pouco, encerrando-se com o canto do hino “Bichos da Inglaterra”, que acabou acordando Jones. Os animais aquietaram-se. Três dias depois o velho Major faleceu. Com sua morte, Bola-de-neve, o outro porco, tomou à frente das reuniões. Contra ele estava outro porco, Napoleão.

A partir deste momento começaria a organização dos bichos, que teve em sua atitude primária a expulsão dos humanos da granja tornando-a, então, a Granja dos Bichos.

O interessante deste livro, primeiro, é pensar numa revolução como esta. O que será que os animais, principalmente os escravizados pelo homem, fariam se pudessem ter força e inteligência suficientes para dominar o ser humano? Afinal de contas, são anos de repressão.

Outro ponto importante é como este grupo que, a princípio se uniu para um bem comum, acabou criando castas entre os “iguais”. Ali, na Granja dos Bichos, o seres superiores eram os porcos. Eles viviam na “Casa Grande”, deturpavam a verdade em favor próprio e criaram um “monstro” para que pudessem sempre ter algo com que amedrontar a população animal. Os porcos eram os mais inteligentes.

No fim das contas, a repressão e a escravidão continuaram. A marcante cena final, descrita no livro, quando todos os bichos da granja estão à espreita, observando o jantar que Napoleão oferece à alguns humanos e ficam confusos por não perceberem as diferenças entre um e outro, dá o tom real, e cruel, do quão o poder pode ser devastador.

Doze vozes gritavam, cheias de ódio, e eram todas iguais. Não havia dúvida, agora, quando ao que sucedera à fisionomia dos porcos. As criaturas de fora olhavam de um porco para um homem, de um homem para um porco e de um porco para um homem outra vez ; mas já era impossível distinguir quem era homem, quem era porco.” (p. 112)

Este livo deveria ser leitura obrigatória nas escolas do mundo todo. Eu digo isso porque demorei muito para lê-lo. É importante para que nós, seres humanos, consigamos entender a estrutura política e social em que vivemos e suas inúmeras estratificações. Não existem iguais, apensar de parecerem, sempre haverá um ser que sobressairá ao outro, que dominará o outro, seja com a força das mãos ou com a ideologia. E, caso o ser dominante consiga estes dois poderes, aí estaremos perdidos. E o máximo que conseguiremos é lutar pela queda dos que dominam.

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Livro: A Revolução dos Bichos (Animal Farm: A Fairy Story) 

Autor: George Orwell

Tradução: Heitor Aquino Ferreira

Editora: Companhia das Letras (45ª reimpressão/ 2007| 1ª ed./1945)

 

Livro: Eu me chamo Antônio

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Eu o conheci por meio da indicação de um amigo e gostei muito do trabalho desenvolvido por ele, apesar de as vezes parecer ilegível. Primeiro foi o tumblr e depois o livro, o que eu adorei.

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O autor, Pedro Gabriel, é africano, filho de pai suíço e mãe brasileira. Se mudou para o Brasil com 12 anos e sempre gostou de brincar com nossa língua. Por isso comçou a fazer rabiscos em guardanapos, o que se tornou, mais tarde, a sua marca registrada.

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Livro: Eu me chamo Antônio 

Autor: Pedro Gabriel

Editora: Intrínseca (2013)

Livro: Um Cartão

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Conheci o perfil do Pedro por um acaso no instagram. Muito provavelmente porque alguém deve ter compartilhado alguma frase e eu curti. Daí pra frente, continuei seguindo e admirando as artes. Quando o livro saiu, não tive dúvida.

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Ele é todo bonitinho e o mais legal é que as páginas podem ser destacadas e transformadas em quadros.

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Livro: Um Cartão 

Autor: Pedro

Editora: Rocco – Selo Fábrica231 (2015)

Livro: Desenhos Invisíveis

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Troche é um dos artistas que eu mais gosto. Eu o conheci por um acaso quando o meu blog ainda era .blogspot, porque o blog dele é ainda no blogspot e, enfim, me apaixonei pelos desenhos e pela sensibilidade de seus traços. E o Troche é tão legal, que eu cheguei a trocar uns e-mails com ele, ele me contou, lá em 2010, sei lá, que havia feito alguns desenhos para algumas revistas do Brasil (ah sim, foi mal. O Troche é um uruguaio radicado na Argentina), como a revista Bravo!.

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Em 2014 a editora Lote 42 fez um crowdfund para lançar o livro Desenhos Invisíveis no Brasil. É claro que eu a participei e recebi este livro lindão, com um desenho exclusivo e vários marcadores bonitões também.

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meu desenho e minha dedicatória ❤

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Livro: Desenhos Invisíveis (Dibujos Invisibles)

Autor: Gervasio Troche

Editora: Lote 42 (1ª ed. 2014)

Livro: The Beatles

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Eu gosto muito de música. Muito mesmo, desde sempre gostei e sempre gostei de ler sobre música. E, uma das bandas mais legais do mundo é a que leva o título deste post: The Beatles. O livro de hoje conta a história de todas TODAS as músicas dos Beatles. Ele é muito completo e muito interessante, claro.

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Eu não li todas as histórias ainda, mas já li as das músicas que eu mais gosto. Os textos trazem tantos detalhes que inspiraram as letras quanto detalhes técnicos também.

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Livro: The Beatles – A História por trás  de todas as canções

Autor: Steve Turner

Editora: Cosac Naify (2009)

Livro do Mês: Outros jeitos de usar a boca

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Este foi o livro mais dolorido e libertador que li na vida, até hoje. Digo dolorido porque Rubi desnuda a alma feminina de uma forma tão crua e dura, que eu senti dor, sofri, amei e me libertei ao terminar de lê-lo.

Os poemas desta autora, nascida na Índia e radicada em Toronto, no Canadá, são em sua maioria curtos e com mensagens bem diretas. O livro é dividido em quatro partes: a dor, o amor, a ruptura e a cura.

5Em cada uma das partes, a autora vai abrindo as entranhas de uma mulher, de um ser que sofreu, foi abusada, sentiu falta, foi solitária, amou, desejou, se entregou, rompeu seus limites e venceu a dor.

Tomei conhecimento deste livro num vídeo da Jout Jout e, quando fui para São Paulo, em abril deste ano, resolvi comprá-lo. Li enquanto esperava o ônibus que me traria de volta para Divinópolis. E foi chocante, tocante, intrigante. Foi foda. Rupi é foda. E é tão jovem.

Este é o tipo de livro que deve ser lido por mulheres, homens. De mulheres para homens. O sofrimento descrito por ela, em forma de poema, é sofrido por muitas.

No mais, apresento algumas páginas e indico muito a leitura, que pode parecer rápida, mas é muito profunda.

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Livro: Outros jeitos de usar a boca (Milk and honey)

Autor: Rupi Kaur

Tradutora: Ana Guadalupe

Editora: Planeta (USA 1ª ed. 2015 | Brasil 1ª ed. 2017)

Livro: A metamorfose

Eu já conhecia a obra de Franz Kafka, mas foi na faculdade de Jornalismo que eu pude conhecê-la melhor. O texto, que teve sua primeira edição lançada em 1915. Numa das minhas buscas por livros, lá em 2010 ou até antes, eu consegui encontrar esta edição que, na minha opinião é das mais bonitinhas:

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Trata-se de uma adaptação feita pelo artista gráfico e cartunista norte-americano Peter Kuper.

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O livro é muito bonito, que conseguiu dar novo fôlego aos problemas existências e a trágica transformação de Gregor em inseto e de como esta transformação mudou sua forma de se relacionar com sua família.

Ótimo para que gosta de Kafka. Ótimo para quem gosta de design e histórias em quadrinho.

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Livro: A metamorfose (Adaptação)

 Autor: Peter Kuper

Tradutora: Cris Siqueira

Editora:  Conrad (2010)