43

Como Nossos Pais (9)

Eu, hoje, não consigo escrever muita coisa. Queria eu ter a maestria que ela tem em transformar algo simples, como uma legenda de Instagram, em algo bonito, poético. Ela sabe usar tão bem as palavras que me emociona, sempre. Já escrevi sobre seus livros – Trinta e oito e meio e Tudo o que eu sempre quis dizer mais só consegui escrevendo –, e sobre o melhor filme de 2017 – Como nossos pais –, e, por consequência, também sobre ela. Hoje ela faz 43.

Parabéns, Maria!

8

Anúncios

Dia 97

Será que eu sou uma pessoa errada?

Pergunto isso porque sinto dificuldade em fazer algumas coisas que para a maioria das pessoas parece ser muito simples e fácil.

Sabe encontro de domingo, almoçar com a mãe, com a sogra?

Não sou essa pessoa, não consigo ser essa pessoa.

Eu sou a pessoa que faz bife e batata frita no domingo, e não frango com macarronada e maionese.

O máximo, dessas visitas rotineiras – de domingo –, é ir na casa da mãe à tarde, para o café.

Essas obrigações sociais não me agradam. Eu tenho certa dificuldade com elas, pra falar a verdade.

Cada vez mais me sinto fechada numa bolha. Essa bolha é a minha cabeça. A impressão que eu tenho é de que estou perdendo o tato em lidar com as pessoas. O tato do convívio social.

Mas se for necessário, respiro fundo e vou. E sorrio. E abraço.

E depois, mais tarde, eu choro. Porque tem sido difícil. Bem difícil.

Eu devo, sim, estar muito errada.

Dia 96

É possível falar de amor?

Se não possível falar, deveria ser ao menos possível sentir.

Sempre falo de amor, acho, mesmo que nas entrelinhas.

Há tempos escrevia mais sobre o desamor, sobre o sofrimento.

Isso vira e mexe ainda volta, essa sensação de desamparo.

Mas, hoje, quero falar de amor.

Uma das bandas que eu mais gosto tem inúmeras músicas que falam de amor.

A minha preferida se chama Conversa de botas batidas.

Diz quem é maior que o amor?

Quem pode ser maior do que o amor, o querer bem, a empatia?

Talvez até tentem acabar com um sentimento tão puro, mas não conseguirão, com certeza.

O amor une, o amor respeita, o amor, apenas ele, também pode nos salvar.

Junto com a arte, claro!

Então, vamos amar, abraçar e dar as mãos.

Com amor, vamos seguir.

Screenshot_20181028-211154_2 ♥

Dia 95

Ultimamente tenho lido mais. Mais sobre tudo. Leio livros, artigos, jornais. Procuro me informar, mas quanto mais me informo, mais me desespero. Triste realidade.

Sábado tive uma crise logo cedo, por conta de um sonho, mas logo me recompus. Uma voz me dizia para parar de pensar no que estava pensando e, como não havia solução, que eu deveria parar de chorar.

Não sei se em sonho ou realidade, engoli o choro e fui viver. Mas viver sozinha quase sempre não dá certo, apesar de eu às vezes preferir. Viver socialmente, nos últimos dias, têm sido dolorido e doloroso.

Tento fugir adentrando páginas e mais páginas. Tento fugir investigando cenas de filmes, me emocionando com personagens em séries ou me concentrando unicamente em sonoras letras de músicas.

Tento fugir, mas ando em círculos.

As lágrimas sempre voltam.

E o meu medo é de que elas permaneçam.

Até nos sonhos.

Fujo.

Dia 94

Nesta semana, sinceramente, não consegui pensar em nada interessante para escrever aqui. Sigo tentando ter certa persistência. Persistência não apenas aqui, lidando com palavras. Mas o que faço além de lidar com palavras?

Bem, nesta semana fiz o exame que faria na semana passada, correu tudo bem. Pouco dolorido e, espero, sem surpresa no resultado.

A semana está cheia no trabalho, mas, tirando isso, nada além dos fazeres rotineiros do acordar-trabalhar-dormir-acordar-trabalhar-dormir e comer ou resolver uma coisa ou outra no meio do fechado cotidiano. Nada muda.

Sexta-feira, o dia amanheceu cinza, as cigarras cantam suas canções de alento e eu sigo pensado, ou tentando não pensar, no que acontecerá daqui uns dias.

Sigo por aqui, procurando palavras pra descrever o que só ao futuro cabe saber.

Pra que serve a ansiedade?

Dia 93

Hoje eu não vou escrever sobre o medo do resultado desse processo eleitoral pelo qual estamos passando.

Eu havia pensado em escrever sobre outra coisa. Algo que aconteceria ontem, mas não pôde por conta de uma dúvida. Dúvida que era só receio mesmo e o que eu faria ontem, farei na quinta. Eu sei que você não está entendendo, e talvez nem seja pra entender mesmo.

Às vezes nem eu consigo me entender, o que acontece na maioria das vezes. Cara, que confusão. Continue lendo “Dia 93”

Dia 92

De segunda-feira, dia 1º de outubro.

 

Estou sem lugar.

Desde ontem à noite, depois das visitas costumeiras de domingo, estou angustiada. Angustiada pela semana que se inicia e que pode nos levar para um lugar desconhecido.

Não consigo sossegar a mente e a angústia só aumenta. Nem o sono acumulado depois de três semanas com a casa em obras me faz dormir.

O que será?

Respiro fundo e tento Continue lendo “Dia 92”

Dia 91

Dias atrás eu contei que minha casa estava em reforma, e que eu também estava em reforma, mas hoje vou escrever sobre a reforma da casa mesmo.

Há três semanas minha casa não é minha, quer dizer, é minha sim, mas a casa que eu conhecia acabou, ou foi alterada, no exato momento em que começaram a chegar piso, cimento, tinta, torneira, tanque e afins. Ah, e também o pedreiro e seu ajudante.

Nós precisamos desmontar Continue lendo “Dia 91”