Dia 96

É possível falar de amor?

Se não possível falar, deveria ser ao menos possível sentir.

Sempre falo de amor, acho, mesmo que nas entrelinhas.

Há tempos escrevia mais sobre o desamor, sobre o sofrimento.

Isso vira e mexe ainda volta, essa sensação de desamparo.

Mas, hoje, quero falar de Continue lendo “Dia 96”

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Dia 95

Ultimamente tenho lido mais. Mais sobre tudo. Leio livros, artigos, jornais. Procuro me informar, mas quanto mais me informo, mais me desespero. Triste realidade.

Sábado tive uma crise logo cedo, por conta de um sonho, mas logo me recompus. Uma voz me dizia para parar de pensar no que estava pensando e, como não havia solução, que eu deveria parar de chorar.

Não sei se em sonho ou realidade, engoli o choro e fui viver. Mas viver sozinha quase sempre não dá certo, apesar de eu às vezes preferir. Viver socialmente, nos últimos dias, têm sido dolorido e doloroso.

Tento fugir adentrando páginas e mais páginas. Tento fugir investigando cenas de filmes, me emocionando com personagens em séries ou me concentrando unicamente em sonoras letras de músicas.

Tento fugir, mas ando em círculos.

As lágrimas sempre voltam.

E o meu medo é de que elas permaneçam.

Até nos sonhos.

Fujo.

Dia 94

Nesta semana, sinceramente, não consegui pensar em nada interessante para escrever aqui. Sigo tentando ter certa persistência. Persistência não apenas aqui, lidando com palavras. Mas o que faço além de lidar com palavras?

Bem, nesta semana fiz o exame que faria na semana passada, correu tudo bem. Pouco dolorido e, espero, sem surpresa no resultado.

A semana está cheia no trabalho, mas, tirando isso, nada além dos fazeres rotineiros do acordar-trabalhar-dormir-acordar-trabalhar-dormir e comer ou resolver uma coisa ou outra no meio do fechado cotidiano. Nada muda.

Sexta-feira, o dia amanheceu cinza, as cigarras cantam suas canções de alento e eu sigo pensado, ou tentando não pensar, no que acontecerá daqui uns dias.

Sigo por aqui, procurando palavras pra descrever o que só ao futuro cabe saber.

Pra que serve a ansiedade?

Dia 92

De segunda-feira, dia 1º de outubro.

 

Estou sem lugar.

Desde ontem à noite, depois das visitas costumeiras de domingo, estou angustiada. Angustiada pela semana que se inicia e que pode nos levar para um lugar desconhecido.

Não consigo sossegar a mente e a angústia só aumenta. Nem o sono acumulado depois de três semanas com a casa em obras me faz dormir.

O que será?

Respiro fundo e tento Continue lendo “Dia 92”

Dia 91

Dias atrás eu contei que minha casa estava em reforma, e que eu também estava em reforma, mas hoje vou escrever sobre a reforma da casa mesmo.

Há três semanas minha casa não é minha, quer dizer, é minha sim, mas a casa que eu conhecia acabou, ou foi alterada, no exato momento em que começaram a chegar piso, cimento, tinta, torneira, tanque e afins. Ah, e também o pedreiro e seu ajudante.

Nós precisamos desmontar Continue lendo “Dia 91”

Dia 90

a chuva veio e me tirou do sério

mas, mesmo assim, levou certa poeira

o sol aparece, mas logo vai embora

na enxurrada, vejo partir algumas aflições

o dia às vezes continua cinza, mas é por conta do temporal

aqui dentro, vejo nuvens encobrirem o azul

quando chove e embaça as lentes dos óculos

vezes pode ser felicidade, outras tantas despejo de não-alegrias

daqui me observo e vejo melhorias

a chuva veio, me trouxe um sorriso e ar puro

o sol ficou, aqui dentro.

35

Amy-Winehouse-HG
Ilustração: Helen Green

Poderia escrever mais um texto sobre os meus 35, completados no último dia oito de agosto, mas não. Não são dos meus trinta e cinco que vou escrever, mas sobre os trinta e cinco não completados por uma das artistas mais intensas que tive (e ainda tenho) a oportunidade de ouvir. Ainda tenho porque o que Amy Winehouse produziu ficará eternizado em seus discos e também em nossa memória. Amy foi embora muito cedo, infelizmente. Mas é impossível esquecê-la. Ainda bem! Obrigada, Amy! Feliz Aniversário!!

Dia 88

Coleciono dias, horas, minutos.

Um conjunto de momentos que eu não me lembro.

Um conjunto de momentos que mesmo distantes se fazem presentes.

Hoje decidi mudar, ou melhor, parar o que estava fazendo. Tenho percebido minha falta de interesse. Sigo constrangida por fingir. Ainda mais constrangida por parar de fingir. Eu sempre usei de artifícios para me proteger. Talvez, agora, esteja com medo de perder minha proteção. Vivo num submundo onde apenas eu tenho acesso.

Agora, quero colecionar outras coisas.

Colecionar o tempo, não adianta.