Música do dia #287

287 de 365 – Mas, que nada

Um pouco de sambalanço neste (quase) fim de recesso. HAHA

Artista: Jorge Ben Jor

Álbum: Samba esquema novo (1963)

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Filme da semana: Divertida Mente

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Divertida Mente, assim como vários filmes da Pixar, têm inúmeras camadas para atingir diferentes faixas etárias.

No desenho, lançado em 2015, Riley, uma garotinha de 11 anos, vê sua vida alterada quando precisa se mudar de cidade com os pais, o que a deixa com as emoções à flor da pele.
Enquanto isso, em seu cérebro, as emoções se revezam para que a menina tenha diferentes sensações, trabalhando sempre na manutenção de seus sentimentos e memórias. São elas a Alegria, Tristeza, Nojo, Medo e Raiva.

Dentro do cérebro, as memórias são categorizadas, para longo prazo ou, se é algo muito ruim ou que pode afetá-la, a memória pode ser descartada. As memórias mais importantes são ainda definidas como memórias base e são organizadas como se fossem ilhas. Estas memórias são as que definem a personalidade de Riley.

O problema começa quando, logo no primeiro dia de aula em sua nova escola, a menina chora, por conta de um erro da Tristeza e isso deixa a Alegria preocupada, já que este momento ficará armazenado entre as memórias base da menina. Não entendendo o motivo de existir memórias tristes, a Alegria resolve mantê-la afastada da sala de controle das emoções.

Numa das brigas entre a Tristeza e a Alegria, as ilhas de personalidade são fechadas e Riley torna-se uma pessoa instável e sem emoções definidas. E o pior acontece quando a Tristeza e a Alegria são sugadas para fora da sala de controle das emoções e precisam tentar voltar com as memórias perdidas, reconectando os sentimentos às ilhas de memória base, para que a menina volte a ser como antes.

Este filme é um prato cheio para os psicólogos, na minha opinião, porque apresenta de maneria muito clara, para nós adultos, como são estratificados os nossos sentimentos e como cada um deles pode nos influenciar em nossas decisões diárias, sejam elas corriqueiras ou mais profundas.

É um filme que indico para a família inteira. Cada um absorverá o que deve ser absorvido e é importante que seja assistido mais de uma vez.

Boa pedida para encerrar a semana do saco cheio. 🙂

***

Filme: Divertida Mente (Inside Out)

Direção:  Pete Docter e Ronnie Del Carmen

Ano de lançamento: 2015

Música do dia #285

285 de 365 – História de uma gata

A música mais popular do projeto “Saltimbancos”, História de uma gata, versão de Chico Buarque para o musical inspirado no conto “Os Músicos de Bremen”, é a minha preferida também. Nesta versão gravada para o disco Essa boneca tem manual, de 2002, Vanessa da Mata dá uma cara mais moderna à canção de 1977.

Artista: Vanessa da Mata

Álbum: Essa boneca tem manual (2002)

 

Dia 41

Durante grande parte da minha vida eu nunca presenciei, ou sofri, algum tipo de preconceito. Quando falo preconceito refiro-me a cor da pele. Da minha pele, no caso.

Sou parda – mãe branca, pai negro.

Mas, de maneira velada, ele sempre existiu quando alguém sempre falava do meu cabelo ou quando se referiam a um serviço ruim como serviço de preto. Eu ouvia aquilo mas não dava importância.

Mais tarde, quando comecei a consumir mais produtos, ao entrar em determinadas lojas, os vendedores, em muitas vezes, não me atendiam. Pensava, antes, que talvez fosse por conta do movimento. Hoje, acredito muito que não era isso.

Quando entrei na faculdade, em 2003, ainda não havia reserva de cotas. Informei a verdade – parda – sem me preocupar se isso seria levado em consideração.

Passei no vestibular, fiz a faculdade, etc.

Talvez, por isso, torci o nariz quando começaram a brotar cotas para tudo e qualquer coisa. Achava desnecessário. E o pior, falava alto sobre isso, defendendo este ponto de vista. Era meu direito não concordar.

Enfim, hoje, tempos depois, me arrependo.

Me arrependo porque a segregação continua todos os dias e mais velada do que nunca. As pessoas, a maioria delas, se dizem sem preconceitos, mas essa não é uma verdade completa.

Eu costumo perceber o preconceito duas vezes: sou afro e mulher.

São muitos os olhares torcidos. Mas, eu nunca prestei muita atenção, para falar a verdade.

Prefiro relevar e passar por um dia mais leve.

Aí anteontem, na segunda, eis que brota em minha timeline do Twitter o tal do anúncio da Dove. Na altura em que o vi, já havia se proliferado.

Esta foi minha reação de imediato:

Achei de uma indelicadeza gigante, gritante.

E é muito isso, são tantas etapas até a produção ou a veiculação de uma publicidade que eu não sei como em pleno 2017 este tipo de coisa ainda aconteça. Como assim? Como uma negra ainda aceita este tipo de trabalho? Isso não deveria ser permitido, mas a escolha é de cada um. Eu demorei à entender a importância de falar sobre isso e abrir os olhos para isso.

leia o texto escrito pela modelo ou leia o texto publicado no G1

Mais tarde, li o texto que atriz norte-americana Danielle Brooks escreveu para a Lenny e continuei refletindo e isso me deu uma tristeza profunda. Talvez, neste tempo todo, o golpe sofrido pela Dove tenha servido para limpar meus olhos diante de tudo que tantas pessoas sofrem todos os dias. Minha pele, e a pele de tantas, não é suja. É disso que fala o texto de Brooks. Isso me lembrou daquela história de que Deus criou um lago para que os homens se lavassem e os brancos puderam usá-lo primeiro porque eram bons trabalhadores. Já os negros chegaram depois, foram considerados preguiçosos e, por isso, foram lavadas apenas as palmas das mãos e a sola dos pés. Sendo estes os únicos lugares “limpos” dos negros. (Assista este vídeo)

É triste. Muito triste.

Esta história toda chega a me dar um nó na garganta, é sério. Me senti ofendida.

Mas, a vida segue, um dia de cada vez. E a luta também, sempre.

abre-black-power-lise você souber de quem é a ilustração, me avise para creditá-la 🙂

Música do dia #284

284 de 365 – Hollywood

Na leva de projetos transformando músicas populares para crianças, teve, lá no início dos anos 2000, um dos mais legais que foi o Superfantástico – quando eu era pequeno, que fez novas versões para músicas infantis, de diferentes épocas, de trilhas de filmes a programas de auditório. A banda Los Hermanos produziu a versão de Hollywood, eternizada num dos melhores filmes que assisti quando criança, Os Saltimbancos Trapalhões, de 1981.

Artista: Los Hermanos

Álbum: Superfantástico – quando eu era pequeno (2002)

Livro do mês: A hora da estrela

a hora da estrela 2

Que livro bom.

Que livro impactante.

Que livro triste.

Eu havia programado a leitura d’A Hora da estrela para o ano que vem, mas resolvi antecipar a leitura, porque o livro é bem curtinho – são apenas 87 páginas – e, por isso,  flui muito bem. Foi o primeiro livro que li da Clarice Lispector e me arrependi de não ter lido antes.

Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevi o que estou escrevendo. (p. 11)

Trata-se da história de Macabéa, uma retirante nordestina que muda-se para o Rio de Janeiro após a morte de uma tia, única referência de família que ela conhecia.

O livro é narrado por Rodrigo S.M., que acompanha a vida quase vazia e invisível de Macabéa, que trabalha como datilógrafa, gosta de ouvir programas de Rádio e acredita que tudo o que acontece com ela, sejam coisas boas ou ruins, são por conta de sua sina, escrita por Deus.

Só vagamente tomava conhecimento da espécie de ausência que tinha de si mesma. Se fosse criatura que se exprimisse diria: o mundo é fora de mim, eu sou fora de mim. (p.24) 

É, de certa forma, um livro metalinguístico, que mostra a aflição do escritor diante da obrigação da escrita, da criação de histórias, do cuidado e da preocupação gerados por um, até então, desconhecido personagem.

Quanto a mim, autor de uma vida, me dou mal com a repetição: a rotina me afasta de minhas possíveis novidades. (p.41)

Abre parêntese. Quando estava na faculdade de Jornalismo, numa das aulas de Jornalismo Literário – acho que era este mesmo o nome da disciplina – o professor havia nos passado uma atividade, que era de fazer um texto sobre uma coisa qualquer. Eu não conseguia ter inspiração em nada para escrever. O único insight que consegui foi o de escrever sobre a angústia da escrita. Sobre a angústia da folha em branco. Foi um dos textos mais legais que consegui escrever – e que infelizmente está perdido – e o li em sala, assim como todos os demais estudantes. Ao fim da leitura o professor, sorrindo, me disse que meu tipo de escrita estava parecido com o de Clarice Lispector. Me senti feliz, mesmo sem entender, já que ~vergonha gritante~ ainda não a conhecia. Hoje, quase dez após ter finalizado minha graduação, ao terminar a leitura de A hora da estrela sabia que ele estava se referindo a este texto. Me senti feliz. Fecha parêntese.

Eu sou sozinha no mundo e não acredito em ninguém, todos mentem, às vezes até na hora do amor, eu não acho que um ser fale com o outro, a verdade só me vem quando estou sozinha. (p. 69)

Não vou contar muito da história, porque, acredito, este livro precisa ser sentido. E cada um terá uma compreensão. Ao fim da leitura eu me surpreendi, de certa forma, e fiquei triste, principalmente por este ter sido o último livro lançado por Clarice. Aliás, ele foi lançado após a morte da escritora, o que me deixou ainda mais intrigada com o tipo de narrativa escolhida por ela.

Estou absolutamente cansado de literatura; só a mudez me faz companhia. (p.70)

a hora da estrela 1

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Livro: A hora da estrela

Autora: Clarice Lispector

Editora: Rocco (1ª ed./1977)

Música do dia #282

282 de 365 – Fico assim sem você

Semana da criança começando, me faz lembrar da época em que aguardava ansiosamente pelo presente do dia 12, há tempos já esquecido. Mas, aproveitando o ensejo, a seleção da semana são de músicas com arranjos mais intimistas, voltadas para o público infantil, ou de músicas que de certo marcaram minha infância e a de muitos.

A primeira é a versão da música da dupla Claudinho e Buchecha, último registro antes do falecimento do primeiro, feito por Adriana Partimpim, pseudônimo da Calcanhoto.

E a versão ficou muito boa!!

Artista: Adriana Calcanhoto

Álbum: Adriana Partimpim (2002)