Dia 90

a chuva veio e me tirou do sério

mas, mesmo assim, levou certa poeira

o sol aparece, mas logo vai embora

na enxurrada, vejo partir algumas aflições

o dia às vezes continua cinza, mas é por conta do temporal

aqui dentro, vejo nuvens encobrirem o azul

quando chove e embaça as lentes dos óculos

vezes pode ser felicidade, outras tantas despejo de não-alegrias

daqui me observo e vejo melhorias

a chuva veio, me trouxe um sorriso e ar puro

o sol ficou, aqui dentro.

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Dia 89

(imagem: pinterest)

Em obras.

Não, não eu. Minha casa. Mas, talvez, eu também esteja.

Por lá, paredes foram quebradas, pisos retirados, móveis trocados de lugar e uma infinidade de boas mudanças vem acontecendo. A casa vem ganhando novas cores.

Por aqui, palavras deixaram de Continue lendo “Dia 89”

Dia 88

Coleciono dias, horas, minutos.

Um conjunto de momentos que eu não me lembro.

Um conjunto de momentos que mesmo distantes se fazem presentes.

Hoje decidi mudar, ou melhor, parar o que estava fazendo. Tenho percebido minha falta de interesse. Sigo constrangida por fingir. Ainda mais constrangida por parar de fingir. Eu sempre usei de artifícios para me proteger. Talvez, agora, esteja com medo de perder minha proteção. Vivo num submundo onde apenas eu tenho acesso.

Agora, quero colecionar outras coisas.

Colecionar o tempo, não adianta.

 

Revisitar

Há muito tempo venho pensando sobre os conteúdos que produzo para o blog, sobretudo os textos mais pessoais. Eu, até então, os deixava guardados aqui e como a maioria deles eu escrevo direto nesta plataforma, não havia backup de nada disso. Se o WordPress resolvesse acabar com tudo, eu perderia todo o meu conteúdo. É claro que isso é um exagero, de certo modo, porque exporto o html do blog todo mês, para que, caso o pior aconteça, eu consiga salvar parte do meu trabalho.

Enfim, ontem Continue lendo “Revisitar”

setembro e recomeços (ou continuações)

Ilustração: Tigerlily – Elentori. (via Pinterest)

Olá!

Ontem fiz um anúncio no Instagram do blog (dá uma moral, vai?). Lá eu disse que a música de ontem, #608, foi a última música do dia a ser postada por aqui. O texto que eu escrevi foi o seguinte:

É bem provável que esta seja a última #músicadodia postada no blog e, por consequência, compartilhada aqui no Instagram. Isso não significa que eu deixarei de escrever e compartilhar sobre música, pelo contrário, vou falar sobre algo que é fundamental à minha existência – e isso é sério – de uma forma menos mecânica. Isso tem me incomodado um pouco. (leia a postagem original)

Continue lendo “setembro e recomeços (ou continuações)”

Dia 86

Confesso que hoje não tenho algo a dizer. Estou vivendo um dilema: uma folha em branco logo a frente e a cabeça um pouco vazia.

Esta semana em especial tem sido leve. Apesar dos pesares, tem sido uma semana boa.

Tenho anotado várias questões interessantes que quero tratar aqui no blog e penso, inclusive, em aumentar os dias de textos como este por aqui. Não sei como seria, se criaria uma nova categoria, mas as vezes sinto necessidade de escrever em outros momentos, que não sejam neste, às quartas.

Sinto que em breve teremos mudanças, e isso é algo muito positivo. Cumprirei o que havia estabelecido como meta até o dia 31 de dezembro deste ano. Continuarei escrevendo, até lá, sobre música, filmes, séries, livros e contando para você um pouco dos meus dias. Atualmente, este último momento tem sido minha melhor experiência por aqui.

Tem me acalmado.

Tenho sentido transformações interessantes dentro de mim, apesar de ainda achar que o caminho é longo.

No fim das contas, disse algo.

Até breve.

 

Dia 85

Sobre conhecer seus ídolos, ou melhor, sobre não depender dos outros para realizar seus desejos, sonhos e vontades.

11

Semana passada foi meu aniversário. Na semana anterior, no dia 3, havia começado a 25ª Bienal do Livro de São Paulo. Na loucura, nem dei muita atenção. Na quarta-feira vi uma publicação de uma das mesas, em que estariam presentes Maria Ribeiro, Fernanda Young e Tati Bernardi. Quem me acompanha aqui no blog, sabe que eu amo os textos da Maria. Amo tudo o que ela realiza. Mas, ainda assim, não me ocorreu de ir.

Até chegar a quinta-feira. Continue lendo “Dia 85”

Dia 84

Oi, Isa. Hoje é seu aniversário, né?  15 anos, o tempo voa. E, acho, ninguém te chama de Isa ainda, mas vão chamar.

Hoje, quero te contar algumas coisas. Não se assuste nem fique ansiosa, por favor.

Por falar em ansiedade, isso vai te fazer um mal, quer dizer, já faz e você nem sabe. Sabe as dores no estômago e o mal estar que sempre chega? Pois é, a culpa é da sua, quer dizer, nossa ansiedade. A nossa adolescência vai ser bem quietinha, mas ainda assim encontraremos formas de ficarmos ansiosas.

Os sábados serão cinzas e chatos. Nosso companheiro, o walkman, e nossas dezenas de fitas k7 serão nossa melhor companhia. Aliás, a música sempre será nossa melhor companhia.

Você, desde sempre, ama música e isso não vai mudar. Lá na frente, você vai aprender a tocar piano e vai ficar feliz por isso. Daqui a três anos você vai conseguir seu primeiro emprego, no melhor lugar que poderia ser: uma loja de discos. E apesar dos perrengues e do salário nada, isso vai te fazer muito bem, vai te dar certa liberdade e, pela primeira vez, você vai encontrar sua turma no mundo.

E, por falar em Continue lendo “Dia 84”

Dia 83

Sabe a tristeza, o esgotamento, a ansiedade, a falta de paciência? Pois é, vivo num ciclo vicioso desses sentimentos e vez ou outra me vejo atônita olhando para o teto e sem nenhuma reação. Ou, ao contrário, me vejo num repente de desespero em que não encontro saída nem solução para os problemas que vêm me assolando.

Mas, acredito, esse não é um problema que diz respeito apenas a mim. As pessoas no geral, cada vez mais cabisbaixas, trancadas em seus fones de ouvido (eu!) não querem, ou não conseguem, se encaixar no mundo exterior. Cada vez mais percebemos o aparecimento de perfis e canais que nos mostram como respirar, como pensar, como olhar para dentro, como agir para que tenhamos um pouco mais de ânimo. Um pouco mais de vida.

Um pouco mais de vida.

Dia desses li um texto da Milly Lacombe e nele ela discorre sobre nossa ânsia pela chegada da sexta-feira, como se ela nos oferecesse a cura para todo o mal. O que nos acontece nos outros dias? O piloto automático não me deixa lembrar as conversas que tive ontem. Sei o que pensei quando escrevo alguma coisa no Twitter, ou até aqui no blog, fora isso, se não há registro eu não me lembro. Eu sei da minha rotina e conheço bem meus afazeres, mas entre uma coisa e outra, o que há?

Ainda no texto dela, ela fala sobre essa rotina nada criativa que a vida adulta nos proporciona. Horas de trabalho para que, ao fim do mês, possamos receber o salário, pagar os boletos e continuar esperando o dia do salário do próximo mês para fazer as mesmas coisas. Essa é a minha realidade e, acredito, seja a realidade da maioria dos que me acompanham aqui.

Qual é o objetivo de nossa vida? Deveria ser viver, né? Desvendar esse mistério louco que é a vida. Mas, ao fim do dia, eu quero apenas tomar uma sopa e ir dormir.

Estamos alienados e num beco sem saída. Será? O sistema nos oprime e cada vez mais pessoas – as jovens, principalmente –, tendem a achar que o faça-você-mesmo-e-seja-feliz é a fórmula para a resolução dos problemas. E não é bem esse o caminho. Aliás, pode ser que sim, mas para uma pequena parcela da sociedade.

Cobrança externa, expectativa alheia, tudo isso dilacera quem você é, o que você pretende.

O que você pretende? Qual é o seu objetivo? Sua rotina te deixa pensar sobre isso?

“A vida já seria desafiadora sem um sistema econômico como esse a nos devorar. Existe uma enorme crueldade em sabermos que vamos morrer e não uma tirânica monstruosidade em reconhecer que a vida vive de matar e de comer outras vidas.”

Trecho do texto SEXTOU, escrito por Milly Lacombe e publicado na revista TPM em 22/6/2018. Leia o texto completo.

É, há muito que se fazer, há muito que se pensar.

Eu? Continuo sem resposta e vivendo dentro desse ciclo, vezes sem vida, vezes cheio dela, mas seguindo. Afinal de contas, o tempo não para e precisamos nos encontrar no meio dessa loucura, nem sempre com coragem.