Livro do Mês: Bagagem

Dando continuidade às publicações deste mês, com artistas e produções locais (de Divinópolis/MG), o livro deste mês não poderia ser de outra pessoa senão de Adélia Prado.

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Livro do mês: O ano em que morri em Nova York

• Um romance sobre amar a si próprio •

Este livro é intenso. É romance. É autoajuda. É amor. É redescobrimento.

“Exausta, me sentei na grama, coloquei a cabeça entre as pernas e chorei mais profundamente ainda. ‘Evite ter certeza daquilo que você desconfia’ my ass. Minha vida tinha acabado. Eu morri em Nova York numa manhã ensolarada de sábado.” (p. 89)

O livro, que é dividido em três partes – A morte, A aventura do descobrimento, Renascer – conta a história de uma mulher de 44 anos que se vê perdida após um relacionamento de quase 10 anos. E resolvi lê-lo após a indicação da Maria Ribeiro no Instagram, em que ela diz, num trecho: “Triste, lindo e tão próximo de mim”. Demorei quase um ano para iniciar a leitura. Mas se tem algo em que acredito é que as coisas acontecem no tempo que precisam acontecer. Não somos nós que escolhemos os livros, os livros nos escolhem e eu me entreguei a leitura deste livro num momento em que precisava encontrar forças dentro de mim mesma e, acredito, tem dado certo, ou quase. Continue lendo “Livro do mês: O ano em que morri em Nova York”

Livro do Mês: Sejamos todos feministas

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O livro é curto. São cerca de 40 páginas. É uma adaptação de uma palestra que a autora, Chimamanda Ngozi Adichie, deu em dezembro de 2012, no TEDxEustom, uma conferência anual com foco na África.

Chimamanda é Africana e grande parte de seus escritos baseiam-se em suas experiências e realidade de seu país e continente. Ela é nigeriana.

O que é tratado no livro, de leitura facílima, é o que tantas pessoas vem explicando há muito tempo. Confesso que, quando eu li, eu vi mais do mesmo. Mas, no fim das contas, não é. Lembrando que a palestra foi dada em 2012 e sua transcrição lançada em 2013.

Quando eu digo mais do mesmo, talvez seja porque já estou tão imersa nesta temática, já li tanta coisa sobre isso, que me pareceu que, de certa forma, não seria possível o livro me acrescentar algo novo.

Trata-se do que é básico: feminismo nada mais é do que homens e mulheres tendo os mesmos direitos e o mesmo espaço. E é necessário entender homens e mulheres de forma ampla.

Ao longo da palestra, ela vai tirando camada por camada os preconceitos que viveu e como as feministas são tratadas, tantas vezes, de maneira pejorativa e que existe uma certa discriminação no modo de tratá-las e descrevê-las.

Ela, africana, conta vários momentos de sua vida que foram essenciais para que ela pudesse chegar às reflexões que a tornou naturalmente feminista. Como por exemplo, a vez em que foi a melhor da turma e que estava apta a ser a monitora, o que não pôde ocorrer já que, mesmo que ela fosse melhor em tudo e um homem, no caso um menino, fosse o segundo, ele seria o monitor.

São valores e questões que precisam ser explicados desde cedo, e sempre, para meninos e meninas: mesmo espaço, mesma capacidade, mesmos direitos. A diferença de estruturas biológicas e hormonais é o máximo de diferenças possíveis de serem encontradas.

Existem mais mulheres do que homens no mundo –  52% da população mundial é feminina –, mas os cargos de poder e prestígio são ocupados pelos homens. A já falecida queniana Wangari Maathai, ganhadora do prêmio Nobel da Paz, se expressou muito bem e em poucas palavras quando disse que quanto mais perto do topo chegamos, menos mulheres encontramos. (p.20)

Vale a leitura e a reflexão. Mas, para além da reflexão, é importante buscarmos, de fato, a transformação. Não pense você que apenas os homens tem pensamento e atitude machista, pelo contrário, ele está implícito em inúmeras atitudes de diversas pessoas no dia a dia.

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Livro: Sejamos Todos Feministas

Autora: Chimamanda Ngozi Adichie

Tradução: Christina Baum

Editora: Companhia das Letras (1ª ed./2012 | Brasil: 2014)

Livro do mês: Eleanor & Park

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Eleanor & Park é um livro apaixonante, que nos faz torcer para os protagonistas do início ao fim. Como todo romance adolescente (ou jovem adulto), o livro, e seus personagens, claro, carregam em si um certo drama e muita intensidade, em cada ação, em cada atitude.

Eleanor é ruiva, um pouco gordinha e nova na escola.

Park tem descendência coreana e é amigo dos “populares” da escola.

Sabe os filmes do John Hughes? Então. A garota de rosa Shocking. Clube dos Cinco. Curtindo a vida adoidado. Foi exatamente esta nostalgia que senti ao ler o livro que, apesar de ser literatura YA é muito gostoso de ler e vai prender sua atenção do início ao fim, seja qual for sua idade. 

Eles se conhecem no ônibus. Começam a compartilhar a leitura de quadrinhos, as músicas em fitas k-7, as mãos, o sofá e os jantares.
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Calma, não tão rápido.
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Eleanor & Park não é uma típica história clichê de amor adolescente. Eles carregam em si certa maturidade, apesar da pouca idade, principalmente Eleanor, que começa a sofrer bullying desde o primeiro instante que entra no ônibus. Mas, este é o menor dos problemas da garota, que vive numa pequena casa com os quatro irmãos, a mãe e o padrasto.
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Já Park, vive com a mãe, que é coreana, o pai, que é norte-americano, e o irmão. Uma típica família da cerquinha branca.
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Na medida em que o relacionamento deles avança, ficamos envolvidos e torcendo para que, no fim, as coisas deem certo para os dois. Trágico, intenso, profundo. O amor entre os dois transcorre entre estes adjetivos e o final nos surpreende pela crueza e nenhum clichê.
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O que me chamou a atenção, além da história, claro, foi a trilha que embalou o amor do casal, na segunda metade da década de 1980, mais precisamente, o ano era 1986.
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Então, leia o livro mas, antes, aperte o play para ouvir a playlist:
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Livro: Eleanor & Park

Autora: Rainbow Rowell

Tradutor: Caio Pereira

Editora: Novo Século (1ª ed./2013 | Brasil: 2014)

Livro do Mês: Feliz Ano Novo

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É um livro violento, cru e machista em muitos momentos. E assusta pela realidade, em muitos outros.

Feliz ano novo é o um livro do escritor mineiro Rubem Fonseca, lançado originalmente em 1975 e que nos apresenta 15 crônicas, ou contos, sobre as discrepâncias sociais, violência, sexo, erotismo, com uma pitada de humor negro, que corriam na mente do autor, considerado um dos principais prosadores do país.

Os textos desta coletânea não conversam entre si, mas, de certo modo, se parecem por conta dos seus personagens, em sua maioria homens, com hábitos estranhos e vivendo suas experiências sozinhos. Não tão sozinhos, já que vez ou outra aparecem outras pessoas, que passam por “salvadoras” ou que os ameacem, fazendo-os saírem do lugar de acomodados.

Já foi dito que o importa não é a realidade, é a verdade, e a verdade é aquilo em que se acredita” (p.122)

Enfim, é um livro que vale a pena ser lido por ainda, 43 anos depois de seu lançamento, ser muito atual pelas histórias retratadas.

Gostei, principalmente, de dois contos: Agruras de um jovem escritor e O pedido. Um terceiro também se destaca. É o último do livro: Intestino Grosso. Tanto o primeiro quanto o último citados falam do processo da escrita. Agruras de um jovem escritor me lembrou de A hora da estrela, de Clarice Lispector, já o Intestino Grosso chama a atenção pela frieza contida na mente de muitos escritores, que muitas vezes “pensam que sabem de tudo”, e por isso subestimam os “não-escritores”.

Uma curiosidade deste livro à época de seu lançamento: em plena ditadura militar, ele teve a publicação e a circulação proibidas em todo o território nacional, sendo recolhido pelo Departamento de Polícia Federal sob a alegação de conter “matéria contrária à moral e aos bons costumes”.

Veja aqui os 10 livros que marcaram a carreira do autor

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Livro: Feliz Ano Novo

Autor: Rubem Fonseca

Editora: Nova Fronteira (ed. Especial/2017)

Livro do Mês: O Livro Dos Ressignificados

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Acredito ser um excelente livro para o janeiro de qualquer ano.

É um livro que nos apresenta novos significados, de palavras muito ou pouco usuais.

Ele, João Doederlein, o @akapoeta, ressignifica, para além de palavras, emoções, sentimentos. Ele dá novo sentido. E isso acaba nos ressignificando também.

O autor é jovem e desde cedo já gostava de “brincar” com as palavras. No Instagram ele conseguiu dar vasão e ganhou fama.

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Esta nova forma de escrita encontrou novos leitores, que buscam, talvez, textos ágeis e com mensagens de fácil digestão. Isso, de forma alguma, minimiza o livro. Pelo contrário, sou a favor da leitura. Sou a favor do consumo do livro. Então, se ele, o autor, tem conseguido fazer com que as pessoas, totalmente viciadas em smartphones e redes sociais, parem um pouco para pensar nas palavras e seus (re)significados, sobretudo se isso atrai novos leitores, deve ser, de certa forma, aplaudido.

Este não é necessariamente um livro de leitura corrida, mas sim de consulta. É quase um dicionário de sentidos. Vale a pena a leitura e a consulta.

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Livro: O livro dos resiginificados

Autora: @akapoeta (João Doederlein)

Editora: Paralela (1ª ed./2017)

Melhores 2017: Livros

Chegamos ao momento da escolha das melhores publicações deste ano do blog. Ao longo desta semana, teremos ainda a lista de melhores discos e melhores filmes.

Começarei listando os cinco melhores livros que li em 2017, ano em que me desafiei a ler mais e acredito que tenha conseguido alcançar minha meta: ler o mínimo de um livro por mês. No fim das contas, a média foi um pouco maior que esta. Sei que é uma média baixa ainda, mas, com o hábito adquirido, tenho certeza que aos poucos ela aumentará.

Então é isso! Neste momento estou lendo Cem anos de solidão e quero muito que ele seja o primeiro de 2018! Tomara que consiga terminá-lo até dia 9 de janeiro, que é quando escreverei sobre o primeiro ‘livro do mês’ de 2018.

Que em 2018 possamos ler e viver mais histórias incríveis!!

Aproveitando: qual foi sua melhor leitura em 2017?

Até amanhã! ♥

Livro do mês: A coragem do primeiro pássaro

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O livro deste mês, o último do ano, é um livro de poesia. E é um livro ao mesmo tempo intenso e leve, mas com desabafos sufocantes. Difícil entender, né? Mas saí com esta sensação ao fim da leitura, que foi muito rápida.

O livro, que possui pouco mais de 50 páginas, flui ao mesmo tempo que nos paralisa diante do fim. Talvez por isso o tenha escolhido para encerrar estes primeiros doze meses de livros aqui no blog. Digo primeiros doze, porque foi neste ano que criei a categoria livro do mês e consegui cumprir bem. Você concorda?

Deixe-me voltar ao livro.

Trata-se de um livro sobre o fim de um relacionamento. Cada palavra, cada verso nos remete ao íntimo do sentimento que acaba. Da relação que se deteriora, da raiva que toma conta e, no fim das contas, da vida que precisa seguir.

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A coragem do primeiro pássaro fala de recomeço. Sim, após o fim tem sempre uma nova vida, né? Depois das aflições as esperanças se renovam, ou ao menos aquietam o coração tantas vezes machucado.

André Dahmer, que também é desenhista, consegue fazer lindos traços com suas palavras escolhidas minuciosamente, nos fazendo pensar sobre compartilhamento e perda.

Mas, é um livro de poesia, né? As interpretações podem ser várias, mesmo com palavras tão certas.

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Até o primeiro livro de 2018!! 🙂

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Livro: A coragem do primeiro pássaro

Autor: André Dahmer

Editora: Lote 42 (1ªed. 2015)

 

Livro do mês: Coleção Itaú Criança

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Pela lógica, eu deveria ter escrito sobre estes livros no mês passado, que tem dia dedicado às crianças. Mas, como este projeto é atemporal, resolvi indicá-los neste mês. Mesmo porque recebi estes livros no final de outubro.

Quando digo atemporal, é porque os livros podem ser solicitados em qualquer momento do ano. Mas, em outubro, a Fundação Itaú Cultural e o banco Itaú promovem uma campanha de incetivo a leitura de adultos para as crianças.

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AGORA VEM A EXPLICAÇÃO: para conseguir os livros e participar da campanha, basta acessar o site www.itau.com.br/crianca, fazer seu cadastro, confirmar sua solicitação e pronto: o livro chegará em sua casa. Gratuitamente. Não é incrível? E as coleções também podem ser solicitadas por projetos ou organizações da sociedade civil e por secretarias municipais de educação.

Como o foco do projeto é a leitura para crianças, é importante que, de fato, quem solicite os livros tenha o intuito de lê-lo para uma criança. De acordo com o próprio site do projeto:

por meio da leitura e do compartilhamento de histórias [os adultos] contribuem para a ampliação do repertório cultural da criança, para o seu lazer, para a convivência familiar e para o fortalecimento dos vínculos afetivos. 

Agora, vamos aos livros:

Em cima Daquela Serra

Texto: Eucanaã Ferraz

Ilustração: Yara Kono

Editora: Companhia das Letrinhas

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Este livro recebeu o prêmio 30 melhores livros infantis do ano Crescer 2014. Foi lançado originalmente em 2013. Esta edição foi produzida exclusivamente para o projeto e é linda!

O Menino Azul

Texto: Cecília Meireles

Ilustração: Elma

Editora: Global 

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Este livro teve sua primeira edição lançada em 2004 e sua terceira edição (esta) publicada em 2013.  Cecília Meireles é reconhecida pela escrita simples, mas de uma força que nos emociona. É possível criar uma imagem de cada uma das palavras que ela escolhe para contar as histórias.

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Então, para relembrar:

Acesse este site https://www.itau.com.br/crianca/pratique/ e solicite agora os seus livros.

Até mês que vem, com o próximo livro! 🙂

Livro do mês: A hora da estrela

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Que livro bom.

Que livro impactante.

Que livro triste.

Eu havia programado a leitura d’A Hora da estrela para o ano que vem, mas resolvi antecipar a leitura, porque o livro é bem curtinho – são apenas 87 páginas – e, por isso,  flui muito bem. Foi o primeiro livro que li da Clarice Lispector e me arrependi de não ter lido antes.

Se esta história não existe, passará a existir. Pensar é um ato. Sentir é um fato. Os dois juntos – sou eu que escrevi o que estou escrevendo. (p. 11)

Trata-se da história de Macabéa, uma retirante nordestina que muda-se para o Rio de Janeiro após a morte de uma tia, única referência de família que ela conhecia.

O livro é narrado por Rodrigo S.M., que acompanha a vida quase vazia e invisível de Macabéa, que trabalha como datilógrafa, gosta de ouvir programas de Rádio e acredita que tudo o que acontece com ela, sejam coisas boas ou ruins, são por conta de sua sina, escrita por Deus.

Só vagamente tomava conhecimento da espécie de ausência que tinha de si mesma. Se fosse criatura que se exprimisse diria: o mundo é fora de mim, eu sou fora de mim. (p.24) 

É, de certa forma, um livro metalinguístico, que mostra a aflição do escritor diante da obrigação da escrita, da criação de histórias, do cuidado e da preocupação gerados por um, até então, desconhecido personagem.

Quanto a mim, autor de uma vida, me dou mal com a repetição: a rotina me afasta de minhas possíveis novidades. (p.41)

Abre parêntese. Quando estava na faculdade de Jornalismo, numa das aulas de Jornalismo Literário – acho que era este mesmo o nome da disciplina – o professor havia nos passado uma atividade, que era de fazer um texto sobre uma coisa qualquer. Eu não conseguia ter inspiração em nada para escrever. O único insight que consegui foi o de escrever sobre a angústia da escrita. Sobre a angústia da folha em branco. Foi um dos textos mais legais que consegui escrever – e que infelizmente está perdido – e o li em sala, assim como todos os demais estudantes. Ao fim da leitura o professor, sorrindo, me disse que meu tipo de escrita estava parecido com o de Clarice Lispector. Me senti feliz, mesmo sem entender, já que ~vergonha gritante~ ainda não a conhecia. Hoje, quase dez após ter finalizado minha graduação, ao terminar a leitura de A hora da estrela sabia que ele estava se referindo a este texto. Me senti feliz. Fecha parêntese.

Eu sou sozinha no mundo e não acredito em ninguém, todos mentem, às vezes até na hora do amor, eu não acho que um ser fale com o outro, a verdade só me vem quando estou sozinha. (p. 69)

Não vou contar muito da história, porque, acredito, este livro precisa ser sentido. E cada um terá uma compreensão. Ao fim da leitura eu me surpreendi, de certa forma, e fiquei triste, principalmente por este ter sido o último livro lançado por Clarice. Aliás, ele foi lançado após a morte da escritora, o que me deixou ainda mais intrigada com o tipo de narrativa escolhida por ela.

Estou absolutamente cansado de literatura; só a mudez me faz companhia. (p.70)

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Livro: A hora da estrela

Autora: Clarice Lispector

Editora: Rocco (1ª ed./1977)